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Conflitos em Argel continuam

por Opera Mundi — publicado 06/01/2011 18h16, última modificação 12/01/2011 11h03
Após uma noite de tensão, os enfrentamentos entre manifestantes e polícia nas ruas da capital da Argélia deixaram dezenas de feridos em bairros populares. Do Opera Mundi
Conflitos em Argel continuam

Após uma noite de tensão, os enfrentamentos entre manifestantes e polícia nas ruas da capital da Argélia deixaram dezenas de feridos em bairros populares. Do Opera Mundi. Foto: AFP

A capital da Argélia, Argel, amanheceu sob tensão nesta quinta-feira (6/1), depois de uma noite de tumultos e enfrentamentos entre jovens manifestantes e policiais que deixou dezenas de feridos em bairros populares.

Os choques mais violentos ocorreram no bairro de Bab el-Oued, a dez minutos do centro de Argel. No início da noite, centenas de jovens tomaram as ruas do bairro e cercaram a delegacia para protestar contra a inflação e o aumento de preços de produtos básicos, como açúcar e óleo. Alguns quebraram lojas de produtos eletrônicos, roupas e telefonia.

A polícia não conseguiu conter os manifestantes, alguns armados com barras de ferro e armas brancas. Os enfrentamentos entre os jovens pobres e a polícia duraram horas. Para dispersá-los, policiais usaram armas de efeito moral. Marcas dos enfrentamentos era ainda visíveis nesta manhã, segundo a agência de notícias espanhola Efe.

De manhã cedo, tropas de choque haviam tomado o bairro de Bab el-Oued. Um helicóptero também sobrevoava a região.

Segundo a emissora de TV saudita Al Arabiya, autoridades argelinas ordenaram à polícia que permaneça em alerta máximo. Uma das principais ruas que ligam os bairros em Argel foi fechada.

Imagens obtidas pela TV Al Arabiya mostram jovens arremessando pedras contra policiais, que respondem com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Testemunhas disseram à emissora saudita que manifestantes invadiram a delegacia da polícia perto do edifício da Direção-Geral para Segurança Nacional, em Bab el-Oued.

De acordo com a agência de notícias Associated Press, os tumultos na capital começaram em solidariedade às vítimas repressão de protestos semelhantes nas cidads de Oran e Esharaqa, esta semana. Estes, por sua vez, foram instigados pelo aumento do preço do açúcar, leite e farinha de trigo nos últimos dias, e em meio à frustração latente de que os recursos de gás e petróleo abundantes na Argélia não tenham se traduzido em maior prosperidade.

Na província de Tibaza, 70 km a oeste da capital, 32 pessoas foram presas após protestos violentos em áreas residenciais e em grande centro urbano da província. Em Oran, na costa do Mediterrâneo e segunda maior cidade do país, centenas de jovens tomaram as ruas e fecharam ruas. Alguns jogaram ossos de animais contra prédios do governo. Um jovem disse que os ossos foram atirados "porque o governo não deixou nada para nós, exceto os ossos".

Segundo a correspondente da Al Arabiya Mustapha Ajbaili, canais de televisão estatais ignoraram completamente os protestos em seus noticiários de horário nobre, informando sobre o progresso no programa de habitação do governo.

A Argélia é um país árabe no norte da África, de governo laico, ex-colônia francesa que conquistou a independência em 1962 após uma guerra contra radicais racistas e militares da França. A população é, culturalmente, de maioria árabe, mas grande parte é descendente de bérberes que foram aculturados.

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