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Conflito armado na Colômbia deixou mais de cinco milhões de vítimas

por AFP — publicado 28/09/2012 16h07, última modificação 06/06/2015 18h28
Segundo governo, 600 mil pessoas foram assassinadas e houve milhares de deslocados forçados no país
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Mulher coloca retrato próximo aos restos mortais de um parente desaparecido na guerra civil colombiana. Foto: Raul Arboleda/AFP

BOGOTÁ (AFP) - O conflito armado interno vivido pela Colômbia há cerca de meio século deixou mais de cinco milhões de vítimas. Destas, 600 mil foram assassinadas, segundo estimativas do governo, divulgadas na quinta-feira 27.

A cifra não revela, porém, a magnitude do drama, advertiu Paula Gaviria, diretora da Unidade para a Atenção e a Reparação Integral de Vítimas do conflito armado. O organismo é encarregado de aplicar uma lei neste sentido, aprovada em junho de 2011. "Há uma subnotificação impressionante", disse, explicando que a partir da lei, as vítimas começaram a denunciar seus casos.

"Até agora temos casos registrados desde 1974", acrescentou. Ela destacou que por causa da complexidade do conflito armado e sua antiguidade é muito difícil ter um número de sobreviventes ou mortos.

Do total calculado, 40% (2 milhões) correspondem a vítimas da guerrilha e 25% (1,2 milhão) de grupos paramilitares, disse Gaviria. Mas, para ela, as cifras não são absolutas porque os denunciantes não são forçados a declarar qual foi o grupo agressor e em muitos casos desconhecem a organização responsável.

As principais causas de que se dizem vítimas são o deslocamento forçado, o sequestro, a violência sexual, o recrutamento infantil e as minas antipessoais.

Após a violência política que a Colômbia viveu nos anos 1950, a partir dos 60 o país entrou em um conflito armado com o aparecimento das guerrilhas comunistas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN).

O confronto armado destas guerrilhas contra o Estado se agravou com o surgimento dos cartéis do narcotráfico a partir dos anos 1970 e na década seguinte com grupos paramilitares de extrema direita que travaram uma luta sangrenta contra estas guerrilhas. A maior parte dos paramilitares se desmobilizou em uma negociação com o governo anterior do presidente Álvaro Uribe (2002-2010), mas subsistem redutos vinculados ao narcotráfico.

Agora, o presidente Juan Manuel Santos participará, a partir de 8 de outubro, de uma negociação de paz com as Farc. As conversas serão celebradas na Noruega e Cuba, com a esperança de um bom resultado ao final de um ano.

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