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Cop 17

Conferência é prorrogada e negociações permanecem incertas

por AFP — publicado 10/12/2011 16h00, última modificação 06/06/2015 18h57
Depois de 12 dias de discussões, China, Estados Unidos e Índia são pressionados a apoiar o projeto europeu de um novo pacto global para conter as emissões de gases causadores do efeito estufa.
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Depois de 12 dias, países ainda não chegaram em acordo. ©AFP/Arquivo / Paul Ellis

Por Richard Ingham, Marlowe Hood e Yana Marull

DURBAN, África do Sul (AFP) - Depois de 12 dias de discussões, que deveriam encerrar-se nesta sexta-feira, as negociações climáticas das Nações Unidas entraram na 'prorrogação' com China, Estados Unidos e Índia pressionados a apoiar o projeto europeu de um novo pacto global para conter as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Os ministros e negociadores climáticos de 194 países participaram de reuniões durante a noite para debater as propostas, sem conseguir chegar a um consenso.

A presidência sul-africana da conferência tentou acolher uma proposta de consenso, que foi rejeitada em uma reunião reduzida ao final da tarde de sexta-feira e uma nova reunião foi convocada já à noite com um novo texto. Nos corredores, os negociadores não tinham em perspectiva uma possível reunião plenária para sábado.

 

 

Após atrasos que causaram frustrações perturbadoras, a África do Sul produziu um esboço de texto e convocou o grupo para uma "indaba" (palavra local para fórum tradicional) para discuti-lo.

Mas o documento foi atacado por simpatizantes da proposta do "mapa do caminho" porque não continha o termo "legalmente vinculante" e porque o pacto - descrito como um "marco legal" - só deveria entrar em vigor após 2020.

"O texto sobre a mesa não é aceitável para a posição europeia", disse à AFP a ministra do Ambiente da Bélgica, Evelyne Huitebroeck. "Todos os países em desenvolvimento o rejeitaram", disse a encarregada da delegação venezuelana, Claudia Salerno.

As duas partes queriam mais ambição e prazos menores para pôr em marcha os mecanismos diante da urgência das mudanças climáticas.

A Europa se ofereceu a renovar o Protocolo de Kioto, o único acordo internacional legalmente vinculante que obriga os países desenvolvidos - com exceção dos Estados Unidos, que não o ratificaram - a cortar emissões e cuja vigência expira em 2012.

Em troca, quer que os principais emissores de gases de efeito estufa do planeta entrem neste marco legal, a ser negociado eventualmente em 2015.

Um instrumento legal vinculante para todas as nações daria "segurança de que os países vão cumprir seus compromissos de emissões", disse à AFP a chefe da convenção climática da ONU, Christiana Figueres.

A comissária europeia do Clima, Connie Hedegaard, afirmou que o plano europeu recebeu o apoio do Brasil, da África do Sul e de uns 80 países entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas.

Pequim afirmou não ser contrária a assumir compromissos legais após 2020, mas vinculou esta proposta a uma longa lista de condições.

Admitindo um contexto político doméstico difícil, os negociadores de Washington evitam assinar qualquer documento com compromissos "legalmente vinculantes".

A defesa da ministra indiana Jayanthi Natarajan ao direito do seu país de se desenvolver e lutar contra a pobreza arrancou aplausos na reunião negociadora a portas fechadas, disseram delegados.

"A Índia pede espaço para um desenvolvimento básico e erradicar a pobreza é uma demanda irracional?", perguntou, segundo discurso distribuído posteriormente.

"Para alguns países em desenvolvimento é difícil - aderir a este regime legal - porque pode comprometer seu desenvolvimento", explicou o porta-voz dos países africanos, Tosi Mpanu Mpanu.

O plano do "mapa do caminho" visa a preencher um vácuo em um momento em que os cientistas pedem ações mais duras para conter as emissões de carbono que levam o planeta a piores secas, inundações e tempestades.

A meta é construir uma ponte entre o final de 2012 - quando o primeiro período de compromissos do Protocolo de Kioto expira - e 2020, ano para o qual os países fizeram promessas voluntárias de redução de carbono.

Essas promessas, segundo os cientistas, estão aquém do que se precisa para evitar que a temperatura do planeta aumente mais de 2ºC com base em níveis pré-industriais.

Enquanto as negociações avançavam no tempo extra, o ministro do Meio Ambiente das Maldivas, Mohamed Aslam, reuniu algumas centenas de ambientalistas em uma marcha de protesto que bloqueou o acesso principal ao plenário.

"Esta é uma emergência planetária. O mundo precisa agir agora. Poder do povo, não das corporações", foram algumas palavras de ordem usadas.

Seguranças das Nações Unidas dispersaram pacificamente a manifestação, expulsando algumas dezenas de pessoas, inclusive o diretor do Greenpeace International, Kumi Naidoo.

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