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Internacional

Tribunal de Milão

Condenado o priapista Berlusconi

por Wálter Maierovitch publicado 25/06/2013 08h23, última modificação 25/06/2013 08h45
Entenda o caso que deixou o ex-primeiro-ministro e parlamentar italiano mais perto da prisão. Por Wálter Maierovitch
Alberto Pizzoli / AFP
Silvio Berlusconi

Berlusconi durante entrevista coletiva em junho de 2006, quando ainda era primeiro-ministro da Itália

--1. O processo criminal com acusações de crimes de exploração de prostituição infantil e concussão com constrangimento em face da sua condição de premier italiano durou, em primeiro grau, 27 meses e foram realizadas 50 audiências.

Na segunda-feira 24, o Tribunal de Milão, presidido pela magistrada Giulia Turri e integrado pelas juízas Orsola De Cristofaro e Carmela D´Elia, condenou o ex-primeiro ministro e parlamentar Sílvio Berlusconi às penas somadas de 7 anos de reclusão, em regime inicial fechado, e declarou a sua interdição perpétua para exercitar cargos públicos.

Na semana passada, Berlusconi, junto à Corte Constitucional, tentou sem sucesso anular o processo sob alegação de ter sido ilegalmente indeferido um seu pedido de adiamento de audiência por não haver podido comparecer em juízo por razão de compromisso de governo (à época era premier e presidia o Conselho de Ministros). A alegação de justo impedimento restou considerada uma manobra procrastinatória.

Vale lembrar, ainda, que no mês passado Berlusconi acabou condenado, -- já em sede de apelação--, em outro processo criminal por fraudes fiscais na sua empresa Midiaset: 4 anos.

--2. No ano de 2010, um espanto no departamento de polícia. O premier telefonara para exigir a soltura da menor Karina El Mahroug, apelidada de Ruby Rubacuori (Ruby Rouba-coração).

Na ligação, Berlusconi disse que a menor detida, Ruby, era sobrinha do então presidente do Egito Osny Mubarak. E que Mubarack pediu-lhe para, na Itália, cuidar da jovem.

Berlusconi alertou, ainda no telefonema à autoridade policial, que a detenção (Ruby fora acusada de roubo pela bailarina Caterina Pasquino com a qual morava em Milão) criaria um sério problema diplomático entre Itália e Egito.

Depois do telefonema, a menor Ruby foi confiada a Nicole Minetti, eleita para o Parlamento Regional na lista do partido de Berlusconi e imposta por ele. Minetti se apresentava como “higienista bucal” do premier Berlusconi: depois se soube que Minetti arregimentava mulheres para as festas do “bunga-bunga” de Berlusconi.

Minetti, uma quadra da sede da repartição policial, abandonou Ruby.

Ruby nascera no Marrocos e não do Egito. Não guardava nenhum parentesco com Mubarack e este alertou, pela imprensa e correspondência diplomática, jamais haver solicitado nada a Berlusconi. Mais ainda: não conhecia e nunca ouvira falar da marroquina que nunca havia pisado no Egito.

Não bastasse, a própria Ruby admitiu participar das festas de Berlusconi. Chegou a receber de Berlusconi, em dinheiro, 57 mil euros. A respeito e sem corar, Berlusconi contou que o dinheiro era uma ajuda para ela abrir um salão de beleza e, assim, não cair na prostituição.

--3. Berlusconi, depois da condenação, voltou a afirmar que esta sendo perseguido pela Magistratura: “juízes de esquerda e que decidem consoante os interesses políticos”. Frisou, ainda, que tirá-lo da vida pública é a meta da Magistratura.

--4. Pano rápido. Berlusconi está cada vez mais perto da prisão.