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Começa julgamento de acusados de estupro coletivo na Índia

por AFP — publicado 21/01/2013 16h34, última modificação 06/06/2015 18h25
Os cinco homens que violentaram e mataram uma jovem dentro de um ônibus vão alegar inocência

NOVA DÉLHI (AFP) - O pai da estudante indiana de 23 anos morta após um estupro coletivo em um ônibus de Nova Délhi exigiu a forca para os cinco acusados do crime. Os homens começaram a ser julgados na tarde desta segunda-feira 21 na capital da Índia e as deliberações começarão em 24 de janeiro.

"O tribunal e os juízes têm o dever de pronunciar rapidamente uma sentença e de garantir que todos os homens sejam enforcados. A alma de minha filha só estará em paz quando a justiça os tiver castigado", disse o pai da jovem.

Os acusados, que têm entre 19 e 35 anos, respondem por homicídio, estupro, sequestro e roubo, e podem ser condenados à pena de morte. Um dos advogados de defesa afirmou, no entanto, que seu cliente tinha menos de 18 anos no momento do crime e deveria comparecer a uma jurisdição para menores, assim como um sexto acusado de 17 anos, que será julgado por outro tribunal.

O julgamento é realizado a portas fechadas em um tribunal especial para evitar que o processo sofra com a lentidão do sistema judiciário indiano, diante da pressão da opinião pública e da família da vítima. Eles exigem um veredicto rápido e exemplar no caso que escandalizou o país e comoveu a comunidade internacional. "Nenhum homem tem o direito de viver depois de ter cometido um crime tão abominável", afirmou o pai da vítima, que não pode ter seu nome revelado por exigência das leis indianas sobre violência sexual.

       

A análise do caso atrasou devido ao advogado de Mukesh Singh, um dos acusados, ter pedido que o processo fosse transferido para uma jurisdição fora da capital por temer que a emoção causada pelo caso afetasse a imparcialidade da justiça. O tribunal indicou que vai estudar a solicitação.

O advogado de outro acusado, Vinay Sharma, afirmou que seu cliente é menor de idade, contradizendo a polícia, para quem ele tem 20 anos.

A defesa dos acusados vai alegar a inocência de seus clientes, afirmando que suas confissões foram obtidas sob tortura.

A acusação sustenta que as amostras de DNA, as declarações da vítima e de seu noivo de 28 anos, que os reconheceu, são provas irrefutáveis da culpa dos acusados. "Temos suficientes provas contra todos os acusados" para condená-los, disse o promotor Rajiv Mohan, que provavelmente requerirá a pena capital.

A vítima, uma estudante de Fisioterapia que voltava do cinema com seu noivo, foi violentada várias vezes em um ônibus, agredida sexualmente com uma barra de ferro e, depois, jogada para fora do veículo seminua.

A mulher morreu treze dias depois em um hospital de Cingapura, para onde tinha sido levada em meio a uma desesperada tentativa de salvá-la após três cirurgias na Índia e uma parada cardíaca.

A morte da estudante desencadeou grandes manifestações de mulheres que exigiam mais segurança e que a polícia e a justiça combatessem a violência contra as mulheres, em uma sociedade amplamente dominada pelos homens.

Em 2012, o número de estupros em Nova Délhi subiu 23% em relação a 2011.

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