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Oriente Médio

Obama tenta sair do isolamento para atacar Síria

por Deutsche Welle publicado 03/09/2013 18h17, última modificação 03/09/2013 18h26
Se intervenção contra Assad parecia certa dias atrás, agora presidente dos EUA luta para conquistar aliados no Congresso e vencer resistência internacional
Jim Watson / AFP

O governo dos EUA tenta conseguir o maior número de simpatizantes no Congresso americano e entre a opinião pública para realizar uma intervenção militar internacional na Síria por causa do aumento da pressão internacional sobre o presidente Barack Obama após um suposto ataque químico, no final de agosto.

Assessores falam em uma "estratégia de inundações", o New York Times diz que há uma blitzkrieg (guerra relâmpago) de lobistas da Casa Branca. Até dia 9 de setembro, quando terminam as férias de verão do Congresso dos EUA, a maioria favorável a um ataque precisa estar formada.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, um dos mais veementes defensores de um ataque de advertência contra o regime de Assad, apareceu no domingo em cinco programas de debates na televisão americana. Ao mesmo tempo, o vice-presidente, Joe Biden, e o chefe de gabinete de Obama, Dennis McDonough, fizeram uma série de telefonemas a dezenas de membros do Congresso.

Fadiga de guerra

Um grande grupo de políticos é contra o ataque. Esse grupo inclui desde democratas cansados de guerra até ultraconservadores republicanos do Tea Party, mais afeitos ao isolacionismo.

Outros consideram os planos de Obama pouco arrojados. "Não podemos dar apoio de consciência tranquila a ataques militares isolados na Síria, que não alterem a dinâmica no campo de batalha", justificam os senadores republicanos Lindsey Graham e John McCain, que disputou a primeira eleição com Obama, em 2008.

Eles pedem um plano para a derrubada do regime de Assad. Obama salientou, entretanto, que uma mudança de governo em Damasco não é o objetivo da ação militar.

"No fim das contas, o Congresso se mostrará apto a lidar com a situação", acredita o deputado republicano Mike Rogers. Mas nem todos estão tão seguros. Seu colega de partido, o senador Rand Paul, vê 50% de chance de uma aprovação da intervenção militar. "O Senado vai aprovar o que Obama quer, mas na Câmara, a votação será apertada."

John Kerry já adiantou, por precaução, que Obama tem a autoridade para atacar – "não importa o que o Congresso decidirá". Mesmo assim, um "não" do Congresso seria embaraçoso para o presidente. "Obama parece ter ido longe demais publicamente", alerta o historiador e jornalista alemão Michael Stürmer. "Se não acontecer nada depois disso, os EUA podem abrir mão de sua posição e de sua imagem de potência mundial", prevê. Mas ele também não é a favor de um ataque ao regime Assad. "Falta uma descrição clara sobre qual é o objetivo de um ataque militar."

Rússia continua a dizer não

Enquanto Obama tenta ganhar aliados no Congresso, a Rússia continua a mobilizar-se contra uma intervenção. "Não nos convence nem um pouco o que britânicos, franceses e norte-americanos apresentaram como prova da culpa do ditador sírio Bashar al-Assad nos alegados ataques com gás venenoso", criticou o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov. Ele observa que, nas imagens exibidas, não havia "nada de concreto, nem mapas, nem nomes, só inúmeras inconsistências".

"Se Obama se decidir pelo ataque, as esperanças de uma solução política poderão ser adiadas "por um longo tempo, talvez para sempre", advertiu Lavrov.

A Rússia impede, junto com a China, uma ação internacional forte contra o regime de Assad. Ambos os Estados têm direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, e não há previsão que eles mudem de posição. Por isso, Obama quer atacar a Síria mesmo sem o consentimento do Conselho.

Pouco apoio internacional

Mas mesmo entre os aliados, os planos de Obama são controversos. Depois de o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ter perdido na câmara baixa do Parlamento britânico a votação sobre uma participação do Reino Unido numa operação militar, por enquanto só a França continua ao lado de Obama, entre os países ocidentais mais importantes. Nesta quarta-feira (04/09) está prevista em Paris uma sessão extraordinária no Parlamento francês para tratar o assunto.

A Alemanha também decidiu que não se envolverá num ataque contra a Síria, condicionando sua participação a um mandato internacional. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, diz ter esperanças de que a comunidade internacional ainda possa encontrar uma posição comum para uma resposta a Damasco, após Obama abrir mão de um ataque.

A cúpula do G20 (grupo dos 20 países mais industrializados do mundo, mais os emergentes), que começa na próxima quinta-feira (05/09) em São Petersburgo, na Rússia, seria uma possibilidade para o retorno à mesa internacional de negociações. O encontro prevê uma reunião de Barack Obama com o presidente russo, Vladimir Putin.

Markus Kaim, especialista em Oriente Médio do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (Stiftung Wissenschaft und Politik), é a favor de uma solução política para o conflito. "Os principais argumentos estão sobre a mesa. E há esforços para que os partidos conflitantes negociem e para se convocar uma conferência de paz em Genebra", destaca.

Moscou e Washington teriam concordado em maio com a organização dessa conferência. Mas até agora não foi encontrada uma data concreta, o que, em grande parte, se deveu à falta de disponibilidade de entendimento entre as partes em conflito. Porém, Kaim acredita que a ameaça de uma ação militar e a mudança que esta pode provocar na situação poderá levar a uma mudança de atitude de governo e oposição na Síria.

 

Autoria Nils Naumann (md)
Edição Renate Krieger