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Com Brennan e Hagel, Obama reafirma sua estratégia internacional

por José Antonio Lima publicado 08/01/2013 08h26, última modificação 06/06/2015 18h42
Nomes para a secretaria de Defesa e chefia a CIA reforçam o uso de aviões não-tripulados para ataques e a redução das operações militares no exterior
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Obama entre Hagel (à esq.) e Brennan. Seus dois novos auxiliares são homens que desfrutam de grande confiança do presidente norte-americano. Foto: Brendan Smialowski / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou nesta segunda-feira 7 os nomes de dois de seus principais auxiliares de política externa. Chuck Hagel será o secretário de Defesa, em substituição a Leon Panetta, e John Brennan assume a CIA, a principal agência de inteligência norte-americana, no lugar de David Petraeus, general da reserva envolvido em um escândalo sexual. Com as duas escolhas, Obama reforça suas principais estratégias de segurança nacional: manter o uso de aviões não tripulados contra militantes da Al-Qaeda no Iêmen e no Paquistão e reduzir o papel militar dos EUA no exterior.

Brennan é um funcionário de carreira da CIA. Ele está na agência há 25 anos e, desde 2008, é um dos principais interlocutores de Obama. Como conselheiro de segurança nacional e contraterrorismo, Brennan se tornou o articulador e ideólogo dos chamados “assassinatos de alvos”, realizados por meio de ataques de aviões não-tripulados, uma prática iniciada ainda no governo de George W. Bush, mas levada a outro patamar pela administração Obama. Os ataques dos chamados drones ocorrem principalmente no Paquistão, onde estão muitos militantes da Al-Qaeda, e no Iêmen, área de atuação da Al-Qaeda na Península Arábica.

Obama e Brennan dizem que ações deste tipo são legais e têm gerado resultados positivos à segurança norte-americana, pois por meio delas os EUA mataram diversos líderes e militantes importantes da rede terrorista. Na prática, não é bem assim. Muitos dos ataques com drones matam, além dos supostos terroristas, civis, incluindo mulheres e crianças, que nada têm a ver com a Al-Qaeda. A estratégia de Obama é, além de moralmente condenável, errada do ponto de vista pragmático. Cada morte por “efeito colateral” provoca mais ódio aos EUA, abrindo espaço para que a Al-Qaeda recrute novos militantes. Obama parece não se importar com essas críticas e a nomeação de Brennan para o comando da CIA é a maior prova disso.

Na estratégia de segurança nacional de Obama, os voos não tripulados são um complemento a sua tentativa de diminuir o uso de forças militares norte-americanas no exterior. É para garantir a redução da presença física dos EUA em outros países que Obama nomeou Chuck Hagel para a Defesa.

Ex-senador, Hagel é amigo de Obama e de seu vice, Joe Biden. Sua nomeação, entretanto, não se deve apenas a isso. Hagel é membro do Partido Republicano, de oposição a Obama, e veterano da Guerra do Vietnã. Essas duas características podem dar ao presidente dos EUA a cobertura política necessária para confirmar a saída do Afeganistão em 2014 e os grandes cortes no orçamento militar para os próximos anos, medidas às quais os republicanos se opõem.

Ao contrário de seus colegas de partido, Hagel não segue a cartilha neoconservadora de George W. Bush na política externa. Enquanto muitos republicanos estão prontos a arriscar a vida de soldados norte-americanos em nome causas tidas como nobres, Hagel não é um entusiasta de operações no exterior. Nas palavras do analista Jacob Heilbrunn em artigo na revista Foreign Policy, a "lealdade mais profunda" de Hagel é com os militares que lutam as guerras, e não com os políticos que as ordenam.

Ao adotar uma política externa na qual os grupos terroristas são pressionados com ataques de drones, mas as tropas são poupadas, a administração Obama abre necessariamente um caminho para o diálogo com Estados considerados inimigos. As nomeações de Brennan e Hagel complementam, assim, a escolha de John Kerry para substituir Hillary Clinton na chefia da diplomacia norte-americana. Conhecido por privilegiar negociações em detrimento de ações militares, Kerry formará com Brennan e Hagel o trio que, sob Obama, tentará manter a influência dos Estados Unidos no mundo sem despender bilhões de dólares e agravar ainda mais a crise econômica atravessada pelo país.

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