Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Com 814 milhões de eleitores, Índia vai às urnas

Internacional

Índia

Com 814 milhões de eleitores, Índia vai às urnas

por Deutsche Welle publicado 07/04/2014 09h12
Maior eleição do mundo terá 100 milhões de novos participantes, em grande parte jovens que poderão dar guinada na política do país. Religião e sistemas de castas deverão ter menor influência desta vez
Dibyangshu Sarkar / AFP
Índia

Eleitores indianos esperaram na fila do lado de fora de uma votação em Dibrugarh, nesta segunda-feira, 7 de abril

Naquela que deve ser a maior votação já realizada em escala mundial, 814 milhões de eleitores indianos estão aptos a votar – número quatro vezes maior do que o total da população brasileira – em cerca de 930 mil postos de votação espalhados pelo país. O número de eleitores que participarão pela primeira vez bate recorde: 100 milhões.

O cientista político CRS Murphy, da Universidade Jawaharlal, dá enorme importância à renovação do eleitorado: "Os jovens nas cidades indianas trouxeram um significado político jamais visto, tanto nas áreas urbanas quanto rurais. Isso se reflete também na campanha dos partidos, que foi fortemente adaptada para atrair os jovens eleitores."

Pela primeira vez, as redes sociais desempenham um papel importante no pleito, com início marcado para esta segunda-feira 7. Mas esse não é o único fator que pode fazer a diferença no resultado final: há também um descontentamento generalizado da população com a política.

Um sintoma disso é que, pela primeira vez, as máquinas de votação trarão a tecla NOTA, sigla em inglês para "nenhuma das opções acima". Aqueles que não aprovarem nenhum dos candidatos poderão simplesmente optar por essa nova modalidade.

Corrupção e segurança das mulheres
O Partido do Congresso está no poder desde as primeiras eleições nacionais, em 1952. O maior grupo de oposição é composto pelos nacionalistas hindus do Partido Bhartyia Janata (BJP), fundado nos anos 1980.

Recentemente, houve o surgimento de um novo partido populista, que já conta com apoio forte em diversas cidades, com o lema anticorrupção: o Aam Aadmi Party, ou Partido do Cidadão Comum.

Além da corrupção, outro tema bastante discutido nas eleições deste ano, principalmente entre os jovens da classe média, é o da segurança das mulheres.

A imprensa indiana fez severas críticas ao atual governo, liderado pelo Partido do Congresso, por ter ignorado esse tema até, finalmente, se ver obrigado a agir. O governo interveio somente após enorme pressão da opinião pública, decorrente do estupro e assassinato de uma jovem estudante em Nova Délhi, em dezembro de 2012.

Outro fator que pode influenciar as eleições deste ano é o fato de a religião e o sistema de castas exercerem menor influência sobre o eleitorado. O candidato a primeiro-ministro pelo BJP, Narendra Modi, prioriza a discussão em torno do desenvolvimento econômico, relegando a religião a um papel secundário. Ele prometeu 10 milhões de novos empregos caso seu partido chegue ao poder.

Entretanto, Modi tem também algumas manchas em sua reputação. Como ministro-chefe do estado de Gujarat, ele fracassou ao não interceder durante os conflitos religiosos de 2002 entre hindus e muçulmanos, que causaram 900 mortos – em sua maioria muçulmanos.

"Modi e o BJP têm sido bastante inteligentes ao focarem exclusivamente no desenvolvimento econômico", observa o analista político Purushottam Agrawal. "A questão sobre a culpabilidade do massacre de 2002 em Gujarat ainda permanece obscura, de forma que é melhor para ele que o assunto não seja mencionado."

Campanha americanizada
A campanha extremamente personalizada do BJP é novidade na Índia. Trata-se de Narenda Modi contra Rahul Ghandi, o candidato do Partido do Congresso, filho do ex-primeiro-ministro Rajiv Gandhi. As figuras dos candidatos acabaram prevalecendo sobre as plataformas dos partidos.

Segundo Agrawal, o BJP quer adotar na Índia o estilo americano de campanha presidencial, introduzindo uma estratégia mais combativa. O que mais preocupa o Partido do Congresso é que seu candidato, Rahul Gandhi, não tem boa apresentação. Falta a ele o carisma dos seus antepassados, e ele aparenta certo desconforto ao se expor publicamente.

No entanto, é incerto se a dramaticidade da campanha terá influência significativa. O cientista político CRS Murphy prevê que o drama, de fato, será iniciado no dia 16 de maio, quando virá o anúncio do resultado das eleições.

Existe ainda a possibilidade de que os eleitores indianos distribuam seus votos entre os partidos regionais e os de protesto, o que poderá gerar dificuldades para a formação de uma coalizão governista.

  • Autoria Isha Bhatia (rc)
  • Edição Rafael Plaisant


registrado em: