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Colômbia: cresce o cultivo de maconha modificada em Cali

por Brasil Econômico — publicado 20/06/2011 19h20, última modificação 20/06/2011 19h20
Sementes alteradas geneticamente vindas da Europa ou EUA permitem produção maior e em menor tempo, além de preço de venda mais elevado

A uma hora de carro da cidade colombiana de Cali, em um lugar que camponeses pediram para não ser divulgado, a maconha é cultivada em campos abertos e em estufas, de forma geneticamente modificada para dar sensações mais intensas e ser vendida por um preço maior.

Pode-se chegar ao local caminhando, e na montanha as famosas matas de folhas de estrela são vistas sem dificuldade, em meio a cultivos lícitos. Nessa região do sudoeste da Colômbia, perto de Cali (500 km a sudeste de Bogotá), dizem que sempre houve cultivos, apesar de segundo os botânicos a maconha ter sido introduzida na Colômbia nos anos 1930.

Primeiramente, foi cultivada legalmente para fabricar fios até que foi proibida, em 1962, para cumprir normas internacionais.

Mas os camponeses dessa região nunca perderam o costume, por razões puramente econômicas.

Os camponeses asseguram que o café ou a banana, típicos dessa região tropical, não são culturas que permitem a sobrevivência, porque os preços flutuam e é necessário levar a mercadoria para algum comércio antes de que estrague, o que às vezes é difícil por conta do isolamento em que vivem e pela falta de rodovias em bom estado.

Segundo o especialista em botânica Luis Miguel Álvarez, da Universidade de Caldas (Manizales), autor de estudos sobre a maconha, essa planta lhes oferece em troca melhores meios de subsistência já que "uma vez colhida e seca é pouco perecível, enquanto que outros cultivos, se não são vendidos imediatamente, se perdem".

"Agora está cara", diz um camponês, explicando que pode vender em torno de 11 quilos por 160.000 (cerca de US$ 90).

"Não gostava de cultivar maconha, mas fui compelido. Tomei um crédito para semear café e fiquei pendurado, porque a variedade Colômbia, que dava naquele tempo era muito pequena e tive de vender barato, quase de graça; a partir daí, minha irmã me disse: cultive maconha, e me ensinou", completa.

O fenômeno intensificou-se com a chegada de sementes modificadas geneticamente de Europa ou Estados Unidos, o que permitiu "mudar a modalidade do cultivo, com maior produção e maior qualidade, em menos tempo", com a variedade denominada "creepy", diz a polícia local.

Segundo um investigador estrangeiro, na Europa inclusive existe uma variedade apelidada com o nome de um povoado próximo (departamento colombiano de Cauca), "La Cominera", porque ali foi onde mais prosperou.

"Seu valor no mercado é muito maior que o da maconha normal", por sua maior concentração de THC, o princípio ativo dessa planta, explica o especialista.

A de maior valor é cultivada em estufas, e a dona de uma propriedade explica que essa variedade modificada geneticamente é vendida a 100.000 pesos (US$ 55,7) o quilo, ou seja, dez vezes mais que o "normal".

Nenhum dos camponeses, no entanto, aceita contar quem são os compradores, apenas dizem que pasam a mercadoria por caminhão.

A polícia, por sua vez, assegura que nessa região da Colômbia, a maconha é o principal modo de financiamento da sexta frente da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas).

"É um grande problema, 90% da sexta frente é financiada com a maconha", assegura à AFP o coronel Carlos Rodríguez, comandante da polícia de Cauca.

Nessa região, "este ano apreendemos 27 toneladas (até junho) frente a 23 do ano passado", completa.

Até agora este ano, em todo o país foram apreendidas ao menos 41,8 toneladas de maconha. Em 2010, foram apreendidas 228 toneladas, segundo a polícia.

A maconha é enviada para o porto de Buenaventura (550 km a oeste de Bogotá), ou para os departamentos fronteiriços com a Venezuela, ao norte, para ser vendida no Equador e na Venezuela.

"É inquietante, porque os ganhos destes grupos são maiores e assim podem adquirir mais armas e explosivos", afirma o coronel Rodríguez.

*Publicado originalmente em Brasil Econômico.

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