Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Cocaleros se rebelam contra Humala

Internacional

Peru

Cocaleros se rebelam contra Humala

por Redação Carta Capital — publicado 16/09/2011 10h56, última modificação 16/09/2011 11h02
Com 30 dias no cargo, presidente enfrenta sua primeira crise social em razão da campanha para a erradicação da coca

No quadro de ebulição deixado por 20 anos de neoliberalismo sem freios, seria demais contar com a costumeira lua de mel nos primeiros três ou quatro meses de governo. Com pouco mais de 30 dias no cargo, o presidente Ollanta Humala enfrenta sua primeira crise social: camponeses cocaleros declararam-se em greve contra a campanha de erradicação da coca e bloquea­ram a estada para Pucallpa, capital do departamento de Ucayali. Em 13 de setembro, o governo decretou estado de emergência na região.

A “guerra às drogas” de Washington, às quais os governos peruanos se submetem desde Alberto Fujimori, é um fiasco. Nos últimos dois anos do governo Alán García, 22 mil hectares de coca foram erradicados, mas o cultivo foi ampliado em 5 mil e hoje o Peru é o maior exportador mundial de cocaína, superando a Colômbia. Humala e sua frente Gana Perú prometeram trocar essa política de repressão e erradicação forçada por cooperação e “erradicação concertada”.

Em 16 de agosto, duas semanas após a posse, Humala ordenou a suspensão da erradicação para criar condições de uma negociação com os cocaleros que deveria durar até o fim do ano. Mas, no dia seguinte, voltou atrás e anunciou que a suspensão duraria apenas uma semana e depois a erradicação seria retomada “com mais força”. Uma ofensiva política e midiática apoiada pela embaixada dos EUA pôs o presidente entre a espada e a parede e o fez arquivar suas convicções. Agora paga o preço.

registrado em: