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Guerra civil

CNS responsabiliza comunidade internacional por extremismo na Síria

por Redação Carta Capital — publicado 01/11/2012 11h08, última modificação 06/06/2015 19h23
Chefe da oposição ao regime diz que aumento dos islamitas radicais ocorre devido à falta de apoio externo aos rebeldes
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Coberto de poeira após uma explosão, rebelde gesticula no distrito de Salaheddin, em Alepo, maior cidade da Síria. Foto: Phil Moore

O chefe do Conselho Nacional Sírio (CNS), Abdel Baset Saida, principal grupo de oposição ao regime de Bashar al-Assad, atribuiu nesta quinta-feira 1 o aumento dos islamitas radicais na Síria à falta de apoio da comunidade internacional aos rebeldes. O país enfrenta uma intensa guerra civil, que já vitimou mais de 36 mil pessoas, segundo dados não oficiais do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

"A comunidade internacional é responsável, devido a sua falta de apoio ao povo sírio, pelo crescimento do extremismo na Síria", afirmou Saida, à agência de notícias AFP. A declaração ocorre após a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, exigir uma oposição ampliada capaz de "resistir aos extremistas" islâmicos.

O comandante do CNS ainda disse que nas zonas fora do controle do regime, "o caos e o desespero" se espalham, devido aos ataques do regime. "Em ambiente semelhante é natural que ocorra o extremismo."

  

"A comunidade internacional deve questionar a si mesma. O que aconteceu com o povo sírio? Como ajudou os sírios a deter a loucura sangrenta do regime?", completou.

um dos integrantes do CNS, o brasileiro George Jabboure Netto, formado em medicina na Universidade de Damasco e que hoje vive nos Estados Unidos, defendeu a tese de Saida. “Quanto mais cedo o Ocidente nos apoiar para acelerar esta revolução, melhor será. Quanto mais tempo durar o conflito e quanto mais se deteriorar a situação humanitária, maior a chance de o radicalismo e o caos prevalecerem. Então o melhor é apoiar o Exército Livre da Síria do que deixar armas entrarem como contrabando e irem parar nas mãos de sabe-se lá quem. À medida que grupos radicais começam a ter acesso a armas, eles começam a ganhar capital político, pois com armas salvam a vida das pessoas. Acho que ainda não chegamos a um ponto sem retorno, pois o extremismo na Síria é minoritário.”

O brasileiro, integrante do Comitê de Relações Exteriores do CNS e responsável por levar as propostas do grupo a funcionários das Nações Unidas e do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ainda destacou que o ambiente religioso na Síria pode favorecer ao extremismo. "Há dois mil anos todas as religiões convivem na Síria, então lá não existe uma atmosfera na qual os extremistas, seja de que lado for, podem triunfar.”

Com informações AFP.

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