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Crise na Europa

Chipre cria fundo de investimentos para receber resgate fiscal

por AFP — publicado 21/03/2013 10h56, última modificação 06/06/2015 18h42
Parlamento rejeitou proposta europeia e do FMI de taxar depósitos bancários da população para liberar 10 bilhões de euros em empréstimos ao país

NICÕSIA (AFP) - As autoridades cipriotas descartaram nesta quinta-feira 21 um impopular imposto sobre os depósitos bancários, informaram várias fontes, e decidiram criar um fundo de investimentos, como parte do plano internacional de resgate financeiro da ilha.

"Após uma proposta (do presidente Nicos Anastasiadis), se alcançou um consenso e se decidiu, por unanimidade, criar um fundo de investimentos de solidariedade", afirma em um comunicado o porta-voz do governo, Christos Stylianidis.

Outros líderes políticos afirmaram que foi completamente descartado taxar os depósitos bancários, como determinava o plano inicial. "O assunto do imposto não estava sobre a mesa", declarou o presidente do Parlamento, Yiannakis Omirou.

"O confisco não está nem na margem das possibilidades examinadas", disse o líder do Partido Europeu, Dimitris Syllouris.

       

O porta-voz do governo afirmou que a proposta do fundo estava sendo concluída por advogados. Averof Neofitou, líder do partido governante de centro-direita DISY, disse que o texto deve ser examinado no Parlamento pela tarde. "Quero acreditar que encontraremos uma solução para evitar a falência do país, e que seremos capazes de administrar isto."

Até o momento não foram divulgados detalhes sobre a constituição do fundo. A imprensa informou mais cedo que o fundo seria alimentado com a nacionalização de fundos de pensão e com a emissão de dívida garantida pelos recursos futuros obtidos com as reservas de gás da ilha.

O jornal Phileleftheros destacou que isto permitiria arrecadar 3,5 bilhões de euros, dos 5,8 bilhões que a ilha deve aportar para receber o resgate de 10 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.

O Chipre busca uma forma de concluir o aporte exigido pelos sócios, depois que o Parlamento rejeitou na terça-feira 19 um plano que previa uma taxa excepcional de 6,75% sobre os depósitos de entre 20 mil e 100 mil euros, e de 9,9% para os depósitos acima deste valor.

O plano desta quinta-feira foi elaborado rapidamente, após o ministro das Finanças, Michalis Sarris, não conseguir resultados em Moscou na renegociação de um empréstimo concedido pela Rússia em 2011.

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