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Internacional

De Pequim a Xangai

China inaugura trem de alta velocidade

por Redação Carta Capital — publicado 29/06/2011 10h30, última modificação 29/06/2011 14h40
Empreendimento é o mais custoso da história do PC Chinês e deve ser inaugurado na sexta-feira, um ano antes do previsto
China inaugura linha de trem de alta velocidade entre Pequim e Xangai

Empreendimento é o mais custoso da história do PC Chinês e deve ser inaugurado na sexta-feira, data de comemoração dos 90 anos do partido. A linha foi entregue um ano antes do previsto. Foto: STR/AFP

Na próxima sexta-feira, 1º de julho, a China inaugura a maior linha de trem de alta velocidade do país, que ligará seus dois principais centros financeiros, Pequim e Xangai. A obra custou US$ 3,3 bilhões e foi o maior empreendimento chinês, em termos de custo, desde que o partido comunista chegou ao poder em 1949.

É também o maior trecho construído de uma só vez no mundo. A conclusão da obra, que durou 39 meses, ocorre um ano antes do previsto e coincide com a comemoração dos 90 anos do PC chinês. Segundo apuração do jornal Estado de S. Paulo, a extensão da linha equivale à distância entre Caravelas, no sul da Bahia, e São Paulo. Na ocasião, o governo preparou material de propaganda, que contempla filmes, séries de TV, espetáculos e publicação de livros.

Até o próximo ano, o país terá 13 mil quilômetros de linhas de trens bala. O veículo terá velocidade de 300km/h, ligando as duas cidades em cerca de 4 horas e 48 minutos. Linhas mais baratas alcançarão 250km/h. Nos planos iniciais, o trem chegaria a 350 km/h, mas o limite foi reduzido por ser mais seguro e econômico.

O Plano Quinquenal, que compreende o período entre 2011 e 2015, prevê US$ 423 bilhões investidos no setor ferroviário chinês. Caso o planejamento seja executado, o país terá, ao fim do prazo, 120 mil quilômetros de linhas férreas. O Brasil possui hoje 30 mil quilômetros de linhas e um projeto para seu primeiro trem bala, que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.

Apesar da rapidez, a obra foi marcada por suspeitas de corrupção do ex-ministro das Ferrovias Liu Zhijun, responsável pelo projeto e que ocupou o cargo por 8 anos até a sua saída no início do ano. Durante as obras, houve suspeita de que a questão da segurança estivesse sendo negligenciada por Liu. As obras foram desenvolvidas em sua maioria através de consórcios internacionais, controladas por estatais em Pequim.

Em 2009, a China inaugurou o trem mais rápido do mundo, ligando as cidades de Wuhan e Cantã. O trem alcançava 350 km/h. Por enquanto, o Japão ainda é o país-símbolo desse tipo de transporte, mas deve perder o posto para o vizinho, caso a China continue com os altos investimentos no setor. Se o país concluir os 13 mil quilômetros até o próximo ano, superará a soma de todas as linhas de alta velocidade existentes no resto do mundo.

Na Europa, onde a maioria dos países tem linha de trem de alta velocidade, a França tem se destacado ao investir maciçamente na tecnologia desde 1981. O país possui 149 destinações de trem bala e acaba de inaugurar uma conexão com a Espanha. Na contramão, os Estados Unidos têm tido bastante resistência em adotar esse tipo de tecnologia e até hoje não inaugurou nenhuma linha.

No Brasil, o governo pretende iniciar obras para a construção de linha que liga São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro, mas o leilão para início da obra já foi adiado duas vezes e corre o risco de ter a data alterada novamente por conta de mudanças no edital. A discussão gira em torno da flexibilização do percurso e de técnicas de engenharia, como por exemplo, a construção obrigatória ou não de túneis próximos às cidades de embarque e desembarque.

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