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Chávez sofre de grave insuficiência respiratória, afirma governo da Venezuela

por Deutsche Welle publicado 04/01/2013 10h05, última modificação 04/01/2013 10h05
Complicações pós-operatórias reforçam possibilidade de que o presidente não esteja em condições de assumir o quarto mandato na próxima semana. Oposição quer ir a Cuba para constatar o real estado de saúde de Chávez
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Homem observa um calendário com a imagem de Chávez em uma loja de Caracas, na quinta-feira 3. O país vive um clima de tensão por conta da doença do presidente. Foto: Raul Arboleda / AFP

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, padece de uma insuficiência respiratória causada por uma severa infecção pulmonar que sofreu após ter sido submetido a uma cirurgia oncológica, afirmou o governo venezuelano na quinta-feira 3. Com isso, aumentam os rumores de que ele não poderá tomar posse no próximo dia 10 de janeiro.

O ministro das Comunicações e Informações da Venezuela, Ernesto Villegas, leu uma nota em que diz que, depois da delicada intervenção, o presidente tem enfrentado "complicações devido à severa infecção pulmonar que resultou em uma insuficiência respiratória que requer o estrito cumprimento do tratamento" por parte de Chávez.

Ele afirmou, ainda, que o governo mantém a confiança na equipe médica que atende o presidente, operado pela quarta vez desde junho de 2011 em sua luta contra o câncer. Os médicos, segundo ele, têm atuado com "rigorosidade absoluta ante cada uma das dificuldades apresentadas" depois da intervenção.

O prefeito de Caracas, o oposicionista Antonio Ledezma, propôs nesta quinta-feira que seja designada uma comissão para viajar a Cuba e constatar o estado de saúde do presidente. "Não estou pedindo permissão para ir a Cuba. Creio que temos o direito de ir até lá e ver o que está acontecendo. Devemos ir e ponto. Já basta de mistérios, a Venezuela não é uma colônia de Cuba."

Guerra psicológica

Em seu anúncio, Villegas aproveitou para atacar a imprensa internacional, que, segundo ele, está fazendo uma guerra psicológica em torno da saúde de Chávez para desestabilizar a Venezuela, ignorar a "vontade popular expressa nas eleições de 7 de outubro e acabar com a revolução bolivariana liderada por Chávez".

Horas antes, o vice-presidente Nicolás Maduro – a quem Chávez designou herdeiro político e potencial sucessor – assegurou que o mandatário batalha por sua saúde "com sua força e energia de sempre, com sua confiança e segurança".

Maduro, que também é ministro das Relações Exteriores da Venezuela, esteve desde o final de semana em Havana e seu regresso à Venezuela nesta quinta-feira eliminou as especulações que asseguravam que ele havia viajado à ilha caribenha para acompanhar Chávez em seus últimos dias de vida.

Ele rechaçou os pedidos da oposição de que o governo entregue informes mais detalhados sobre a doença de Chávez, a menos de uma semana para a posse. "Apresentamos 26 comunicações oficiais, sempre com a verdade. O que ocorre é que temos uma direita necrófila que deseja que se diga uma verdade nefasta, que é o que estão querendo com a vida do nosso comandante e com a nossa pátria", afirmou.

Além do tratamento de Chávez em Cuba, os olhos do país estão voltados também para a Assembleia Nacional, de maioria governista, que vai eleger neste sábado o seu presidente – e que teria a tarefa de comandar o país interinamente e convocar novas eleições caso o "comandante" não possa assumir na próxima semana.

Alguns colaboradores de Chávez no poder legislativo devem optar por reeleger o atual presidente, Diosdado Cabello. Mas analistas acreditam que conflitos dentro do partido governista poderiam pôr fim às aspirações do ex-vice-presidente e governador, que é um dos principais aliados de Chávez.

A oposição exige o fim do "segredo" em torno da doença de Chávez e também que o governo respeite a Constituição do país caso o presidente não possa tomar posse no dia 10 de janeiro para seu novo mandato até 2019.

Segundo a Constituição, se o presidente eleito morre ou está impossibilitado de assumir o cargo no dia 10 de janeiro, o presidente da Assembleia Nacional assume a presidência e deve convocar eleições para dali a 30 dias. Se o impedimento de Chávez ocorrer antes dessa data, é o vice-presidente que deverá cumprir o mandato e convocar novas eleições.

Caso sejam convocadas novas eleições, é esperado o confronto entre Maduro e Henrique Capriles, que nas últimas eleições presidenciais, mesmo perdendo para Chávez, teve 6,5 milhões de votos – a melhor marca da oposição nos quase 14 anos de governo de Chávez.

Diversos analistas concordam que um chavismo sem Chávez não é impossível na Venezuela e poderia ser um "osso duro de roer". "Para muitos parece evidente que o chavismo sem Chávez é como uma limonada sem limão. Mas esquecem-se do peronismo (na Argentina) e do sandinismo (na Nicarágua)", frisou o analista Luis Vicente León na sua conta do Twitter.

O líder socialista, de 58 anos, não tem sido visto em público desde que viajou para a capital cubana, Havana, para realizar sua quarta cirurgia – em 18 meses de luta contra o câncer na região pélvica – no dia 11 de dezembro. Ele tem enfrentado diversos problemas pós-operatórios.

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