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Catalunha: esquerda separatista ganha terreno sobre nacionalistas

por AFP — publicado 26/11/2012 09h55, última modificação 06/06/2015 19h24
Os esquerdistas do ERC passaram de dez para 21 cadeiras no Parlamento, mas a sigla do atual presidente segue como maior partido
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Presidente da Catalunha e líder do partido CiU, Artur Mas (C) vota nas eleições regionais, em Barcelona. Foto: Josep Lago / AFP

Os eleitores da Catalunha impuseram neste domingo 25 uma derrota ao presidente regional, Artur Mas, mas votaram em massa nos partidos favoráveis a um referendo sobre o futuro desta região do nordeste da Espanha.

A coalizão nacionalista CiU, de Mas, manteve a maioria no Parlamento regional, mas recuou diante do avanço da esquerda independente, segundo resultados parciais sobre 94,7% das urnas.

O CiU obtinha 50 das 135 cadeiras do Parlamento, contra 62 nas eleições de 2010, enquanto a ERC (esquerda independente) conquistava 21 cadeiras, mais que dobrando as dez recebidas em 2010.

Os socialistas são agora a terceira força regional, com 20 deputados, perdendo oito cadeiras em relação ao antigo Parlamento. Os conservadores do Partido Popular (PP), que tinham 18 cadeiras, aparecem com 19, e os eco-comunistas do ICV elegeram 13 deputados.

O Ciutadans conseguiu 9 cadeiras, seis a mais que em 2010, enquanto o CUP, um novo partido separatista de esquerda, obteve 3 deputados.

Os resultados são uma dura derrota para a CiU e para o presidente Mas, que apostavam na conquista da maioria absoluta do Parlamento regional.

"Com estes resultados não há governo alternativo que não passe pelo CiU, então o CiU é quase obrigado a liderar o próximo governo, mas não podemos ser os únicos responsáveis pela governabilidade deste país", disse Mas ao conhecer os resultados. "Somos, claramente, a única força capaz de liderar este governo, mas não podemos fazer isto sós, precisamos compartilhar a responsabilidade", disse Mas ao admitir que "ficamos distantes da maioria que pedíamos".

O presidente regional catalão atribuiu parte da perda de votos às duras medidas de ajuste econômico que precisou adotar para enfrentar a crise econômica em dois anos de mandato: "normalmente, os governos que se submetem às urnas (durante crises) são substituídos (...) mas apesar da intensidade dos cortes, ainda conseguimos um apoio eleitoral importante".

Mas destacou que não se arrepende de ter convocado eleições antecipadas em busca de uma maioria absoluta para apoiar seu projeto de referendo de autodeterminação, e destacou a grande participação do eleitorado, "algo praticamente sem precedentes". A participação foi muito alta, superior a 56%, contra os 48,39% das eleições de 2010. "A situação agora é mais complicada, mas isto não quer dizer que tenhamos que renunciar aos nossos objetivos", concluiu Mas.

De fato, as forças abertamente favoráveis à celebração de um referendo de autodeterminação terão uma ampla maioria sobre as 135 cadeiras do Parlamento regional catalão.

Artur Mas convocou eleições antecipadas após menos de dois anos no poder para contestar o governo central de Mariano Rajoy e seu sistema fiscal, que considera como um peso para a reativação econômica da região, duramente afetada pela crise.

"São as eleições mais decisivas da história da Catalunha, nas quais atuamos como um país, como povo", afirmou Mas ao votar.

Sacudida pela crise como o resto da Espanha, a Catalunha, outrora um dos motores da economia do país e agora sua região mais endividada, vê crescer o separatismo que no dia 11 de setembro gerou uma grande manifestação nas ruas de Barcelona.

Incapaz de fazer frente aos pagamentos de uma dívida que supera os 40 bilhões de euros, a Catalunha, com 7,5 milhões de habitantes e 20% do PIB espanhol, teve que pedir a Madri um resgate de 5,370 bilhões, que muitos sentiram com uma humilhação na região, que diz pagar anualmente 16 bilhões em impostos destinados a outras zonas do país.

Além de prever um desastre econômico, os partidos contrários ao projeto separatista, liderados pelo PP de Rajoy, advertem que uma secessão provocaria uma ruptura social.

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