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Cartes promete promover retorno do Paraguai ao Mercosul

por AFP — publicado 23/04/2013 09h00, última modificação 06/06/2015 18h27
O novo presidente diz entender o bloco econômico como uma grande oportunidade de empregos para a população paraguaia
Horacio Cartes

Novo presidente do Paraguai, Horacio Cartes após vencer as eleições, 21 de abril, 2013. Foto: ©afp.com / Pablo Porciuncula

ASSUNÇÃO (AFP) – O presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes, se comprometeu a promover a normalização das relações com o Mercosul e a aprovação parlamentar do ingresso da Venezuela no bloco. ”Vamos fazer todo o possível para voltar ao Mercosul. O nosso compromisso é realizar todo o esforço em busca da normalização das relações”, disse Cartes em entrevista coletiva um dia após vencer as eleições no Paraguai, na segunda-feira 22.

O Paraguai foi suspenso do Mercosul em junho passado, devido ao impeachment relâmpago contra o presidente Fernando Lugo, acusado pelo Congresso de “mau desempenho de suas funções” após um conflito agrário que deixou 17 mortos.

A queda de Lugo foi tachada de “golpe parlamentar” por seus sócios da região, que impuseram sanções políticas ao Paraguai e o isolaram do bloco até a realização de eleições, o que ocorreu neste domingo.

Cartes advertiu que para a normalização das relações deve primar o estado de direito, em referência ao ordenamento jurídico do bloco regional fundado em 1991 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. ”Sair do Mercosul é uma bobagem. Estamos absolutamente predispostos” a voltar ao bloco e à União das Nações Sul-Americanas (Unasul), do qual o Paraguai também foi suspenso pela crise política.

Sobre a Venezuela, Cartes destacou ter “muita predisposição” para obter a aprovação parlamentar sobre o ingresso de Caracas. Em junho de 2012, a Venezuela se converteu em membro pleno do Mercosul, em Mendoza (Argentina), imediatamente após a suspensão do Paraguai. ”O atrativo de estar no Mercosul é muito importante, de gerar oportunidades de trabalho para nossos compatriotas”, explicou Cartes.

“Ou olhamos para trás e lembramos a Guerra da Tríplice Aliança ou olhamos para frente”, disse Cartes sobre o conflito entre Paraguai, de um lado, e Brasil, Argentina e Uruguai, do outro, que devastou o país.

No domingo, Cartes foi saudado pela presidente Dilma Rousseff e seus colegas de Argentina, Cristina Kirchner, Uruguai, José Mujica, Chile, Sebastián Piñera, e Peru, Ollanta Humala. Dilma manifestou sua “disposição de recompor as relações bilaterais e as do Paraguai com o Mercosul”, e Cartes “agradeceu o gesto da presidente e garantiu estar pronto para normalizar as relações do Paraguai com os demais países”.

Perfil

Empresário, milionário e novato no mundo da política, Cartes liderou o retorno ao poder do Partido Colorado, que havia sido derrotado em 2008 pelo esquerdista Fernando Lugo após seis décadas no comando do país.

Cartes, 56 anos, recebeu 45,91% dos votos, superando por ampla margem seu principal rival, o senador governista Efraín Alegre, que obteve 36,84%.

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