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Carlos Menem será julgado em processo de atentado

por AFP — publicado 31/03/2012 07h09, última modificação 06/06/2015 18h22
Ex-presidente é acusado de obstruir investigação de ataque contra associação judaica que matou 85 pessoas em 1994, pois agentes do Estado apagaram pistas
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©AFP / Victor Rojas

BUENOS AIRES (AFP) - O ex-presidente argentino Carlos Menem (1989-1999) deverá ser submetido a um julgamento oral por obstruir a investigação do atentado contra a associação judaica AMIA em 1994, que deixou 85 mortos e 300 feridos, revelou na sexta-feira 30 o Centro de Informação Judicial (CIJ).

"O juiz Ariel Lijo elevou a julgamento oral o processo contra Menem e (o destituído juiz federal Juan) Galeano pelo acobertamento do atentado à Associação Mutual Israelita Argentina, ressaltou o CIJ em um comunicado.

A promotoria acusa Menem de ter cometido o crime de "acobertamento agravado" da chamada "conexão local" do ataque, que teve sua autoria intelectual e material atribuída pela Justiça argentina a autoridades iranianas, entre elas o ex-presidente Ali Rafsanjani (1989-1997), segundo o relatório reporte.

A Justiça conseguiu provas de que os serviços de inteligência do Estado e as forças de segurança acobertaram e apagaram pistas em favor de cúmplices locais dos terroristas durante o governo Menem.

Menem, de 81 anos, ocupa atualmente um assento de senador, aliado do bloco governista, o que não impedirá de prestar contas à justiça, embora ainda não haja uma data fixada, mas seus foros evitarão que seja preso ou fique em prisão domiciliar caso seja considerado culpado.

A eventual pena deve ser cumprida de forma efetiva apenas se o Congresso retirar seu foro privilegiado.

O texto da Promotoria, divulgado pelo CIJ, indica que Menem "extralimitando as funções estabelecidas pela Constituição (...) determinou, por intermédio de uma comunicação efetuada por seu irmão Munir Menem, que o então juiz federal Galeano abandonasse a investigação relativa à chamada 'pista de Alberto Kanoore Edul'".

Kanoore Edul era um empresário de origem síria cuja empresa tinha sido contratada pela AMIA para uma restauração do edifício de sete andares em pleno bairro comercial de propriedade de membros da associação judaica, a maior da América Latina com cerca de 300 mil membros.

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Ao lado de Menem e de Galeano, primeiro juiz do caso AMIA, foram levados a julgamento oral o ex-chefe de inteligência do Estado Hugo Anzorreguy, o ex-subchefe de inteligência Juan Carlos Anchezar, o ex-chefe de polícia Jorge Palacios e o ex-agente da Polícia Federal Carlos Castañeda.

Galeano, destituído por irregularidades no processo, "frustrou, ocultou, subtraiu, dilatou e/ou interrompeu diligências probatórias que poderiam comprometer Kanoore Edul e seu entorno", ressalta o CIJ.

No entorno do empresário, segundo a Promotoria, "estava Mohsen Rabbani, adido cultural da embaixada do Irã em Buenos Aires na época do atentado e que tem contra si atualmente uma ordem de captura internacional".

Todos os acusados, "realizaram determinadas ações delitivas tendentes a ocultar informações e a obstaculizar a linha de investigação mencionada", segundo o texto dos promotores.

O caso AMIA vinculado estritamente ao atentado segue estagnado pelo fato de o pedido de captura internacional de Rafsanjani e de outros ex-altos funcionários iranianos feito pela Interpol ter sido rejeitado por Teerã.

Kanoore Edul, cuja família era conhecida de Menem, morreu em 2010.

Em 1992, outro atentado destruiu a embaixada de Israel em Buenos Aires, deixando um registro de 29 mortos e 200 feridos.

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