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Cardeal britânico reconhece ter tido ‘comportamento sexual’ inapropriado

por AFP — publicado 04/03/2013 14h11, última modificação 02/05/2013 19h17
O cardeal Keith O’Brien, ex-arcebispo de Saint Andrews e Edimbourg, reconheceu ter tido um “comportamento sexual” inapropriado e pediu perdão à Igreja e a quem tenha “ofendido”
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O cardeal não participará do Conclave que escolherá o novo Papa. Foto: ©afp.com / Andy Buchanan

LONDRES (AFP) – O cardeal britânico Keith O’Brien, conhecido por suas posições anti-homossexuais e acusado de conduta indecente, admitiu no domingo 3 ter tido um “comportamento sexual” inapropriado e pediu perdão à Igreja e a quem tenha “ofendido”.

O cardal havia anunciado em 25 de fevereiro a sua renúncia ao cargo de arcebispo de Saint Andrews e Edimbourg (Escócia) e sua decisão de não participar do Conclave que elegerá o sucessor de Bento XVI.

Após as acusações que “nestes últimos dias se tornaram públicas, quero aproveitar esta oportunidade para admitir que meu comportamento sexual em certas ocasiões caiu abaixo do padrão esperado de mim como arcebispo e cardeal”, declarou. ”A aqueles que ofendi, peço desculpas e perdão (…) Também me desculpo ante a Igreja católica e o povo da Escócia”, acrescentou.

“No início, eu contestei (as acusações) por causa de seu caráter anônimo e imprecisos”, explicou.

Esta mea culpa ocorre uma semana depois da publicação pelo jornal britânico The Observer de um artigo onde três padres e um ex-sacerdote acusaram, sob a condição de anonimato, o cardeal O’Brien de ter tido nos anos 1980 “comportamentos indecentes”, o que a princípio foi negado pelo cardeal.

Os quatro denunciantes, todos da diocese de Saint Andrews e Edimburgo, revelaram os fatos ao nuncio apostólico na Grã Bretanha, Antonio Mennini, na semana anterior ao anúncio da renúncia de Bento XVI.

Um padre afirmou que foi vítima de ataques por parte do cardeal depois de uma festa regada a álcool, enquanto o outro indicou que O’Brien aproveitava as orações noturnas para agir de forma inapropriada.

Neste domingo, o ex-sacerdote voltou a fazer denúncias ao The Observer, indicando que seus superiores haviam alertado para os “danos” que ele poderia causar à Igreja acusando publicamente o arcebispo por comportamento indecente.

Ele também lamentou “a aprovação fria” por parte da Igreja, quando “ousou enfrentar a sua hierarquia”.

O caso veio à tona no momento em que a Igreja deve escolher um novo Papa, após a renúncia surpresa de Bento XVI, que concluiu seu pontificado na quinta-feira.

O escândalo chamou ainda mais atenção porque O’Brien se tornou conhecido por suas posições conservadoras sobre a homossexualidade, que lhe valeram o título de “Bigot do ano” pela associação de defesa dos direitos homossexuais Stonewall.

Ele se manifestou principalmente contra o casamento homossexual, que segundo ele “seria prejudicial ao bem estar físico, mental e espiritual das partes”.

Contudo, se pronunciou a favor do casamento dos sacerdotes, afirmando que para muitos “era muito difícil respeitar a regra do celibato”.

Keith O’Brien apresentou em novembro sua renúncia ao cargo de arcebispo de Saint Andrews e Edimburgo, que devia ser efetivada em março, quando completaria a idade canônica de 75 anos.

Contudo, Bento XVI “decidiu que minha demissão seria efetivada hoje, dia 25 de fevereiro de 2013″, indicou Keith O’Brien, sem mais explicações.

No jornal Sunday Mail, uma padre da Escócia, John Robinson, expressou sua opinião: “Precisamos tirar lições dos erros cometidos no passado para avançar e transformar a igreja mais compreensiva que não condena as vítimas nem os agressores”, considerou.

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