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Cardeais se reúnem pela última vez antes de conclave

por AFP — publicado 11/03/2013 18h08, última modificação 06/06/2015 18h24
Na "congregação geral", os cardeais abordaram o tema das finanças do Vaticano e prometeram se adequar às leis europeias

Os cardeais se reuniram nesta segunda-feira 11 pela última vez antes de se isolarem na Capela Sistina, para iniciar o conclave que elegerá o sucessor de Bento XVI.

Nesta última "congregação geral", os cardeais abordaram o delicado tema das finanças do Vaticano, indicou o porta-voz da Santa Sé, o padre Federico Lombardi.

O carmelengo Tarcisio Bertone (encarregado de dirigir a Igreja até a eleição do novo papa) apresentou um breve relatório sobre o banco do Vaticano - o Instituto para as Obras Religiosas, IOR - e sobre sua integração no sistema internacional Moneyval de luta contra a lavagem de dinheiro, explicou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

O IOR, com um patrimônio estimado em 5 bilhões de euros, se comprometeu a cumprir as normas europeias de luta contra a lavagem, embora sem obter até agora a autorização da comissão europeia de supervisão.

Mas estas questões não representarão "o principal critério para eleger o Papa", disse Lombardi.

De fato, o pontífice que surgir do conclave assumirá as rédeas de uma igreja com problemas urgentes, como a secularização crescente do Ocidente e os escândalos de corrupção ou de acobertamento de abusos sexuais de menores.

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Embora não existam favoritos claros, alguns nomes ganharam força nas últimas horas para ocupar o trono de Pedro, entre eles o do cardeal brasileiro Odilo Scherer, de 63 anos, que no domingo celebrou uma missa muito midiática na pequena igreja romana de Santo André do Quirinal.

Também estão na boca de vaticanistas e especialistas os nomes do italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão, de 72 anos, o do americano Timothy Dollan, arcebispo de Nova York, ou do canadense Marc Ouellet, ex-arcebispo de Quebec, de 67 anos, um grande conhecedor da América Latina.

Seja quem for, o eleito deverá ser ao mesmo tempo um administrador, um poliglota, um homem carismático e um pastor, também capaz de responder às acusações de corrupção da cúria (o governo da igreja) após os escândalos do Vatileaks, de vazamento de documentos secretos.

Além disso, pela primeira vez na história moderna deverá conviver com um Papa emérito, após a renúncia de Bento XVI por "falta de forças" após oito anos de pontificado. O Vaticano indicou, por sua vez, que Georg Ganswein, seu secretário particular, participará da cerimônia de entrada no conclave em sua qualidade de prefeito da Casa Pontifícia.

O futuro da Igreja católica está agora nas mãos dos 115 "príncipes da Igreja" com direito a voto (por terem menos de 80 anos), majoritariamente conservadores, dos quais 60 são europeus (28 italianos), 19 latino-americanos, 14 norte-americanos, 11 africanos, 10 asiáticos e um australiano.

Os cardeais se dirigirão na terça-feira, a partir das 07h00 locais (03h00 de Brasília), à Casa de Santa Marta, sua residência durante o conclave. Às 10h00 irá ocorrer a missa "Pro eligendo Romano Pontifice", presidida por Angelo Sodano.

Às 15h45 os cardeais, vestidos de vermelho, se dirigirão à Capela Paulina e dali, em procissão, irão à Capela Sistina. Às 16h45 em ponto pronunciarão o juramento solene de segredo, seguido pelo "Extra Omnes" ("Fora todos"), as palavras com as quais o mestre de cerimônias ordena que todas as pessoas alheias ao ritual deixem o local.

Depois de ouvir a meditação do cardeal Prosper Grech, os cardeais realizarão a primeira e única votação do primeiro dia de conclave.

Assim como os cardeais, os funcionários auxiliares do conclave (cerca de 90 pessoas, entre elas médicos, sacristões, enfermeiras e um motorista de ônibus) jurarão solenemente nesta segunda-feira guardar segredo sobre tudo o que virem durante as deliberações.

A partir do segundo dia, os cardeais votarão duas vezes pela manhã e duas vezes pela tarde. Se não for alcançada uma maioria, os papéis serão queimados em uma estufa instalada na mesma capela e a chaminé soltará uma fumaça preta.

Se o resultado for positivo, a chaminé liberará uma fumaça branca, o que anunciará a eleição de um novo Papa. Neste momento, os sinos da Basílica de São Pedro e de toda a cidade de Roma começarão a bater.

O Vaticano indicou nesta segunda-feira que a missa de entronização do próximo Papa não tem razão para ser realizada no domingo.

Do aparecimento da chamada fumaça branca ao anúncio da eleição por parte do cardeal protodiácono (atualmente o francês Jean-Louis Tauran) da sacada do Palácio Apostólico, transcorrerá cerca de uma hora, o tempo para o eleito assumir o cargo e se vestir com a batina branca.

O Vaticano indicou que há 5.600 jornalistas de todo o mundo credenciados para seguir o conclave e que haverá permanentemente uma câmera focando a chaminé para que milhares de pessoas de todo o mundo possam acompanhar ao vivo o anúncio da eleição.

 

Com informações AFP.

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