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Cameron foge de Murdoch, 'o humilde'

por Redação Carta Capital — publicado 20/07/2011 12h51, última modificação 20/07/2011 14h29
No parlamento, primeiro-ministro diz que não sabia que ex-porta-voz era pivô de escândalo. Um dia antes, magnata posou como "humilde"
O premiê britânico David Cameron, que responde perguntas de parlamentares nesta quarta-feira 20. Foto: Ben Stansall/AFP

O premiê britânico David Cameron. Foto: Ben Stansall/AFP

Em audiência no parlamento britânico para falar sobre as suas supostas ligações com o escândalo das escutas ilegais promovidas pelos veículos de Rupert Murdoch na Inglaterra, o primeiro-ministro David Cameron afirmou não ter quebrado regras de conduta ao ser questionado por parlamentares sobre a intenção da News Corp. de aquirir a operadora de TV British Sky Broadcasting (BSkyB).

Sob vaias, Cameron disse que nunca teve uma reunião inapropriada com os executivos do grupo empresarial, de acordo com o relato do site do jornal britânico The Guardian.

"Eu não tinha a responsabilidade pela aquisição BSkyB. Eu pedi para ser retirado de qualquer tomada de decisão e qualquer informação porque eu não queria me colocar em qualquer tipo de posição comprometedora", afirmou. O premiê britânico disse ainda que não sabia de nenhuma data das negociações.

Cameron declarou na audiência que, se soubesse o que sabe atualmente sobre Andy Coulson, não teria contratado o antigo diretor do News of the World para ser seu assessor de comunicação. Coulson é um dos pivôs do escândalo dos grampos.

“Se Coulson sabia sobre as escutas, quer dizer que nos mentiu”, disse. Ele “é inocente até prova em contrário”, afirmou o primeiro-ministro britânico.

O depoimento aconteceu um dia após Murdoch prestar esclarecimentos aos parlamentares. Um manifestante que acompanhava a sessão jogou espuma de barbear no rosto do magnata australiano depois de mais de duas horas de audiência. A esposa de Murdoch, Wendi Deng, que acompanhava o marido na audiência, teve de defende-lo ao atacar o agressor – identificado como um humorista britânico.

No depoimento, Murdoch jurou quase de pé junto que não sabia dos grampos ilegais que levou ao fechamento do seu tabloide News of the World.

Ainda segundo o The Guardian, veículo responsável por divulgar as denúncias, a performance do chefe da News Corporation foi hesitante, pontuada por longas pausas antes de dar respostas. Em vez disso, preferiu afirmar que a terça-feira 19 era o dia em que se sentia “mais humilde” em toda a sua vida.

Na avaliação do diário, no entanto, Murdoch aparentou ter pouco conhecimento sobre os personagens eventos-chave do escândalo que, segundo as revelações, grampeava de celebridades a vítimas de tragédias, como o atentado ao metrô de Londres e familiares do brasileiro Jean Charles, morto pela polícia britânica. O objetivo, ao que tudo indica, era obter informações exclusivas sobre os assuntos e personagens com a ajuda da polícia. As suspeitas derrubaram Paul Stephenson, chefe da Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres, e o número dois da corporação, o comissário-assistente John Yates.

Em meio ao escândalo, e à queda de policiais e ex-editores do tabloide, o ex-repórter Sean Hoare, que acusou formalmente o ex-editor Andy Coulson de incentivar o uso grampos ilegais em sua equipe para obter reportagens, foi encontrado morto na segunda-feira 18 em sua casa, em Watford. Ele trabalhou nos jornais Sun e no News of the World, ambos do magnata das comunicações Rupert Murdoch. Segundo a polícia, agente e personagem das investigações sobre o esquema, a morte não pode ser considerada suspeita, pois não teve – sempre segundo as autoridades – a participação de terceiros.

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