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Brasileiros somam-se à lista de jornalistas perseguidos no Egito

por Rede Brasil Atual — publicado 03/02/2011 16h56, última modificação 03/02/2011 17h42
Pelo menos outros 11 jornalistas de diferentes partes do mundo enfrentaram alguma forma de perseguição ou constangimento no Egito. Da Rede Brasil Atual

São Paulo - Dois jornalistas da estatal Empresa Brasil de Comunicações (EBC) e enviados de O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo somaram-se à lista de jornalistas de todo o mundo que passaram por perseguições no Egito. Eles haviam sido enviados ao país que passa por uma onda de manifestações pela saída do presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, com o apoio dos Estados Unidos.

Os repórteres Corban Costa, da Rádio Nacional, e Gilvan Rocha (cinegrafista), da TV Brasil, foram detidos, vendados e tiveram passaportes e equipamentos apreendidos pela polícia local. Levados à delegacia, passaram a noite sem acesso a água e só foram liberados depois de assinar um termo em árabe que lhes permitiu ser conduzidos até o aeroporto, de onde regressariam ao Brasil.

Na quarta-feira (2), jornalistas de Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo tiveram seus quartos invadidos pela polícia. Outros repórteres estrangeiros que cobrem os protestos anti-Mubarak também tiveram seus quartos de hotel vasculhados. Segundo os profissionais, o objetivo dos invasores era confiscar câmeras fotográficas.

No caminho da delegacia para o aeroporto do Cairo, Corban disse ter observado a tensão nas ruas e a movimentação intensa de manifestantes e veículos militares nos principais locais da cidade. Segundo ele, todos os automóveis são parados em fiscalizações policiais e os documentos dos passageiros, revistados. Os estrangeiros são obrigados a prestar esclarecimentos. De acordo com o repórter, o taxista sugeriu que ele omitisse a informação de que era jornalista.
No mundo

Pelo menos outros 11 jornalistas de diferentes partes do mundo enfrentaram alguma forma de perseguição ou constangimento no Egito, desde o início das manifestações, segundo o Comitê de Proteção a Jornalistas (CJP). No levantamento, enviados da Al Jazira, BBC, CNN, Associated Press e de veículos de Israel, Bélgica e do próprio Egito estão listados.

"O governo egípcio está empregando uma estratégia de eliminar testemunhas para suas ações", afirma Mohamed Abdel Dayem, coordenador da CPJ para o Norte da África e do Oriente Médio. "O governo recorreu à censura generalizada, intimidação e, hoje (terça-feira), uma série de ataques deliberados a jornalistas foram promovidos por ativistas pró-governo. A situação é assustadora não só porque nossos colegas estão sofrendo abuso, mas porque quando a imprensa é impedida de reportar o que acontece, perdemos uma fonte independente e crucial de informação", alertou.
Crise

Há dez dias, o Egito vive momentos de tensão em decorrência de onda de protestos contra a permanência de Mubarak na presidência do país. A situação se agravou na quarta-feira, depois que manifestantes pró e contra o governo se enfrentaram nas ruas das principais cidades egípcias.

De acordo com as Nações Unidas, até agora, mais de 300 pessoas morreram nos confrontos e cerca de 3 mil ficaram feridas.

*Matéria publicada originalmente na Rede Brasil Atual

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