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Braço armado do Fatah promete vingar morte de preso palestino

por AFP — publicado 25/02/2013 09h49, última modificação 25/02/2013 09h49
Há temores de que a tensão provocada pela aparente tortura de um detento provoque uma terceira intifada nos territórios palestinos

 

O braço armado do movimento nacionalista Fatah prometeu nesta segunda-feira 25 vingar o aparente assassinato de um detido palestino que morreu no sábado 23 em Israel, segundo a Autoridade Palestina, devido a torturas.

"Este crime horrível não ficará impune e prometemos ao ocupante sionista uma resposta", indica um comunicado das Brigadas dos Mártires Al-Aqsa distribuído no funeral do preso, Arafat Jaradat, de 30 anos, em sua cidade natal de Sa'ir, perto de Hebron (sul da Cisjordânia). Combatentes armados e mascarados do braço militar do Fatah vigiaram o funeral mobilizados nos telhados vizinhos, constatou a AFP, algo que não se via na Cisjordânia há muito tempo e que lembra os anos da Intifada.

O grupo armado indicou que Arafat Jaradat era um de seus militantes. "As Brigadas Al-Aqsa choram com orgulho seu herói, o mártir da liberdade, o prisioneiro Arafat Jaradat", disse o comunicado.

Milhares de pessoas, carregando bandeiras da Palestina e bandeiras amarelas do Fatah, se reuniram em Sa'ir para participar do funeral do jovem palestino. O ministro palestino dos Prisioneiros, Issa Qaraqae, acusou no domingo Israel de ter torturado até a morte o preso palestino.

Segundo Qaragae, os resultados da necrópsia de "provam que Israel assassinou" o militante palestino. "A necrópsia mostrou fraturas em todo o corpo e no crânio da vítima, resultados de tortura", completou Qaraqae, citando o médico palestino que acompanhou o exame, afirmando também que a condição cardíaca de Jaradat era boa. As autoridades israelenses atribuíram o falecimento a uma "provável" crise cardíaca.

De acordo com o Shin Bet, o serviço de segurança interior israelense que interrogava o prisioneiro, Jaradat "foi vítima de um mal-estar" e acabou falecendo sábado após o almoço na prisão de Megiddo (norte de Israel).

Arafat Jaradat, oriundo de um vilarejo da região de Hebron (sul da Cisjordânia), foi preso em 18 de fevereiro para ser interrogado pelo Shin Bet sobre os confrontos na colônia de Kiryat Arba, perto de Hebron, que deixaram um israelense ferido em 18 de novembro de 2012. Ele será enterrado segunda-feira, perto de Hebron.

Mais cedo, Israel pediu à Autoridade Palestina para acabar com as manifestações na Cisjordânia, organizadas em solidariedade aos 4.500 palestinos detidos pelo Estado hebreu que estão em greve de fome após a morte de Jaradat.

"Israel enviou, por seu emissário Yitzhak Molcho, um pedido à Autoridade Palestina para que acalme o território" da Cisjordânia ocupada, de acordo com um comunicado. "Para que o não-pagamento das taxas que Israel coleta para os palestinos não sirva de desculpa à Autoridade Palestina para não acalmar o território, Netanyahu ordenou que o dinheiro referente ao mês de janeiro seja transferido", informou o texto.

Em janeiro, Israel já havia desbloqueado 100 milhões de dólares de diversas taxas e impostos que recolhe para a Autoridade palestina. O repasse foi interrompido em dezembro após a acessão da Palestina ao status de Estado Observador da ONU. A decisão de Israel acontece num momento de intensificação das manifestações contra o país.

A associação israelense de defesa dos direitos humanos B'Tselem exigiu "a abertura de uma investigação independente, efetiva e transparente, e que seja finalizada rapidamente".

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