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Bernanke minimiza inflação e revela confiança na economia

por Brasil Econômico — publicado 28/04/2011 09h10, última modificação 28/04/2011 09h10
Presidente do banco central americano afirma estar confiante na recuperação da economia dos EUA e que as pressões inflacionárias vão perder força. Por Felipe Peroni

Por Felipe Peroni*

O presidente do banco central americano, Ben Bernanke, afirmou estar confiante na recuperação da economia dos EUA. Ele acredita que as pressões inflacionárias vão perder força no médio prazo.

O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) reiterou que as pressões nos preços são transitórias, projetando que a alta de preços volte a níveis mais baixos quando as cotações de commodities declinarem.

"Os preços da gasolina subiram significativamente e estamos observando com atenção esse movimento", disse Bernanke em conferência após a decisão de política monetária do Fed.

O presidente do Fed ressaltou que a alta nos combustíveis responde por quase a totalidade do aumento da inflação recente no país, e afirmou que os preços devem se estabilizar. Ele ressaltou que as expectativas de inflação para o médio prazo estão baixas.

Segundo os dados mais recentes, o nível geral de preços subiu 2,7% nos EUA em março, ante o mesmo mês do ano passado. No mês anterior, a alta havia sido de 2,1%.

Bernanke reafirmou estar confiante na recuperação da economia americana, mas não indicou quando o Fed deverá começar a adotar uma política monetária mais restritiva.

"Vamos observar atentamente se a recuperação da economia é sustentável, como acreditamos que é". Ele admitiu que o mercado de trabalho está se recuperando em um ritmo ainda lento, mas afirmou que a economia está "na direção certa".

Trata-se da primeira entrevista coletiva realizada pelo comandante do Fed após uma decisão de política monetária na história da instituição. O Fed decidiu nesta quarta-feira manter a taxa de juros dos EUA entre zero e 0,25% ao ano, nível em que se encontra desde dezembro de 2008.

A autoridade monetária também manteve o programa de "afrouxamento quantitativo" (quantitative easing, em inglês), medida que prevê a injeção de US$ 600 bilhões na economia ao longo do primeiro semestre deste ano, por meio de compras de títulos de curto prazo da dívida pública americana.

O programa atualmente está em sua segunda rodada. O Fed iniciou essa estratégia em novembro de 2008, com a compra de títulos do tesouro e de hipotecas visando tirar o país da recessão.

O presidente do Fed afirmou que o afrouxamento quantitativo foi efetivo, e descartou que o término do programa, previsto para junho deste ano, possa provocar turbulência nos mercados.

"Acreditamos que o fim do programa não terá efeito nos mercados financeiros ou na economia." De acordo com Bernanke, os investidores já se anteciparam à conclusão do programa.

Crescimento menor

No evento, o Fed divulgou as projeções econômicas elaboradas pelas agências regionais da entidade. As instituições revisaram para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), estimando uma expansão entre 3,1% e 3,3% em 2011. A previsão anterior, divulgada em janeiro, era de um crescimento entre 3,4% e 3,9%.

Segundo Bernanke, indicadores econômicos fracos no primeiro trimestre motivaram as revisões.

Já as projeções de inflação foram elevadas. Os diretores do Fed esperam que os preços avancem entre 2,1% e 2,8% neste ano, frente a uma estimativa de 1,3% a 1,7% divulgada em janeiro.

Dólar fraco

Questionado se as injeções de moeda na economia estariam provocando o enfraquecimento mundial do dólar, Bernanke afirmou que a política do Fed cria fundamentos para fortalecer a moeda americana no médio prazo.

"Manter a inflação baixa e o crescimento forte é positivo para o dólar no médio prazo", declarou. O presidente do Fed reiterou que uma moeda forte é interesse dos Estados Unidos.

Déficit fiscal

Bernanke declarou que o déficit fiscal americano é o problema mais grave na economia americana atualmente. O presidente do Fed afirmou que a recente revisão para baixo da perspectiva da nota de crédito pela agência de avaliação de risco Standard & Poor's (S&P) não trouxe novidade.

"Espero que a revisão force as autoridades do Congresso a uma atitude", disse.

Na semana passada, a S&P revisou a perspectiva da nota de crédito de estável para negativa, citando a deterioração fiscal do país. Estimativas apontam que o déficit fiscal - saldo entre arrecadação e gastos do governo - fique perto de 10% do PIB neste ano.

Bernanke ainda reforçou que é necessário buscar uma solução de longo prazo para o déficit. "Não é um problema que possa ser resolvido em poucos meses."

*Publicado originalmente em Brasil Econômico.

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