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Berlusconi renuncia após aprovação de plano de austeridade

por Redação Carta Capital — publicado 12/11/2011 20h06, última modificação 12/11/2011 20h06
Isolado, primeiro-ministro italiano renunciou neste sábado 12 após esforço do Congresso para agilizar aprovação da Lei de Austeridade
berlusconi

Silvio Berlusconi renunciou no sábado 12 ao cargo de primeiro-ministro da Itália. Foto: Filippo Monteforte/AFP

A aprovação da Lei de Austeridade pela Parlamento italiano neste sábado 12 marcou o fim de um período de 17 anos de liderança política de Silvio Berlusconi, de 75 anos, na Itália. Isolado, o primeiro-ministro oficializou a renúncia ao cargo, anunciada dias antes.

O agora ex-premier chegou sob vaias e em meio a um comboio de carros oficiais ao Palácio do Quirinal, onde entregou o pedido de demissão ao presidente da República, Giorgio Napolitano.  Do lado de fora do palácio presidencial, uma multidão gritava "palhaço" e erguia cartazes que diziam "Bye, bye, Berlusconi".

Com o país atolado em dívidas, Berlusconi enfrentou a derrocada de deputados da Liga Norte, partido da base do governo, e um pedido para que renuniasse vindo do chefe da legenda, Umberto Bossi. Na última semana, o agora ex-premier perdeu a maioria absoluta na Câmara dos Deputados, o que em um sistema parlamentarista, é praticamente a condição de existência de um primeiro-ministro.

Berlusconi assumiu o compromisso de deixar o cargo na terça-feira 8, após a aprovação pelo Senado e Câmara dos Deputados da lei com os cortes exigidos pela União Europeia. Diante da condição imposta, o Parlamento se apressou para votar as medidas a fim de garantir a estabilidade financeira do País, reduzir a dívida pública de 1,9 trilhão de euros (cerca de 4,5 trilhões de reais) e abrir caminho para a renúncia do premier antes de segunda-feira 14. Com isso, a Itália deve cortar até 59,8 bilhões de euros (cerca de 143 bilhões de reais) até 2014.

Durante a semana, Bziado nas suas últimas semanas como dirigente da Itália nos anos 30.

Substituto

A expectativa é que Il Cavaliere seja substituído por um tecnocrata, o economista Mario Monti, de 68 anos, um especialista em assuntos europeus e por dez anos comissário do continente, que conta com o apoio de quase todos os partidos políticos, entre eles o Partido Democrático (PD, de esquerda), assim como dos industriais.
Contudo, existe a expectativa de que Berlusconi e uma parte de sua formação de direita se oponham de última hora a essa designação, criando um clima de incertezas em relação à implantação do tão esperado governo "técnico".
Segundo a imprensa italiana, o multimilionário político se lamenta por não ter sido consultado sobre seu sucessor e exige garantias para o futuro de seu império da comunicação, que seria gravemente afetado por novas leis de fixação dos limites da publicidade.

Além disso, o polêmico movimento popular, Liga Norte, aliado chave de Berlusconi, disse que se opõe a um governo que não seja eleito com o voto popular e anunciou sua total oposição.

Apesar das controvérsias, a aprovação das medidas e a eventual designação de Monti para salvar a Itália do abismo foram bem recebidas pelos mercados de ações, que reagiram positivamente na quinta e sexta-feira, após uma queda brutal na quarta-feira. As obrigações da dívida italiana à dez anos, que haviam superado nesta semana o alarmante patamar de 7%, recuaram para baixo dos 6,5%.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, felicitou neste sábado os "progressos significativos" realizados sobre a situação política tanto na Itália quanto na Grécia, países submersos na crise da dívida. "O que desejamos no FMI é a estabilidade política e a clareza política nestes dois países. Acredito que ambos realizaram progressos significativos", disse em Tóquio.

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