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Berlusconi quer voltar a governar a Itália

por AFP — publicado 13/11/2011 16h34, última modificação 13/11/2011 16h34
O ex-premier, que renunciou no sábado após perder o apoio da base e ser alvo de insatisfações populares, afirma se sentir orgulhoso sobre o modo que liderou durante a crise econômica
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Silvio Berlusconi renunciou no sábado 12 ao cargo de primeiro-ministro da Itália. Foto: Filippo Monteforte/AFP

Silvio Berlusconi assegurou neste domingo que se sente orgulhoso pela maneira com que lidou com a crise financeira de seu país e que espera voltar a governar a Itália, em uma carta enviada a um partido de direita um dia depois de renunciar ao cargo de primeiro-ministro.

"Reivindico com orgulho o que conseguimos fazer nestes três anos e meio de governo, marcados por uma crise internacional sem precedentes na história", escreveu na carta enviada ao secretário nacional do partido A Direita, na qual também expressa "o desejo de voltar a governar" com eles a Itália.

"Seguimos adiante com a ideia de que a maioria votada pelos italianos tinha o direito e o dever de governar, mas, ao final, reinou no Parlamento a lógica das pequenas chantagens, dos foragidos, um vício antigo da política italiana", enfatizou, ao explicar as razões pelas quais perdeu o apoio da maioria o parlamento.

"Compartilho de seus sentimentos e desejo que retomemos todos juntos o caminho para voltar a governar", escreveu Berlusconi em sua carta.

O magnata insistiu na defesa de sua gestão da crise econômica.

"O país deu muito, muitíssimo, em termos de rigor econômico, o que aceitou com grande sentido de responsabilidade e sacrifício com as medidas de julho e agosto", escreveu.

"Se somarmos a dívida pública à poupança privada, a Itália se coloca, pela solidez econômica, no segundo lugar entre os países da Europa, imediatamente depois da Alemanha, antes da Suécia, Grã-Bretanha e os demais", afirmou.

"A Itália conta com empresas que exportam, com um desemprego inferior à média europeia, com o maior patrimônio artístico do mundo e se espera que todo o mundo político, todos, façam um esforço para sair da crise", concluiu.

Berlusconi renunciou na noite de sábado a seu cargo. Ele foi recebido entre vaias no Palácio do Quirinal, onde tornou oficial sua demissão ante o presidente da República, Giorgio Napolitano.

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Protagonista dos últimos 17 anos da vida política da Itália, Berlusconi havia prometido renunciar a seu cargo após a adoção definitiva das medidas anticrise tomadas sob a pressão dos mercados e encerrando assim uma era marcada por escândalos judiciais e sexuais, que minaram a imagem do país e tiraram toda a credibilidade da classe governante.

A expectativa é que Il Cavaliere seja substituído por um tecnocrata, o economista Mario Monti, de 68 anos, um especialista em assuntos europeus e por dez anos comissário europeu, que conta com o apoio de quase todos os partidos políticos, entre eles o Partido Democrático (PD, de esquerda), assim como dos industriais.

Contudo, existe a expectativa de que Berlusconi e uma parte de sua formação de direita se oponham de última hora a essa designação, criando um clima de incertezas em relação à implantação do tão esperado governo "técnico".

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