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Internacional

Crise na Itália

Berlusconi ganha votação, mas perde maioria

por Redação Carta Capital — publicado 08/11/2011 13h28, última modificação 08/11/2011 14h48
Os deputados italianos aprovam contas referentes ao orçamento de 2010, mas premier fica sem apoio da maioria; aliado pede renúncia

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi recebeu nesta terça-feira 8 dois novos sinais de que já não reúne a menor condição de seguir à frente do governo italiano. Com um princípio de crise que promete se tornar uma avalanche batendo às portas da economia do país (e, em consequência, de toda a Europa), o premier a votação, na Câmara dos Deputados, o orçamento referente a 2010.

As contas foram aprovadas, mas por apenas 308 votos, bem abaixo dos 316 necessários para uma maioria absoluta – que, num sistema parlamentarista, é praticamente a condição de existência de um primeiro-ministro. A oposição ao premier se absteve na votação. O revés pode ser fatal.

"O governo não tem maioria nesta assembleia", constatou Pierluigi Bersani, líder do Partido Democrático (PD), principal partido da oposição.

Partiu de um aliado, no entanto, o segundo golpe recebido por Berlusconi no mesmo dia. Umberto Bossi, chefe da Liga Norte – partido da base do governo – pediu, antes da votação que mediria a força do governo, que o primeiro-ministro renuncie ao cargo.

"Pedimos que ele afaste", afirmou.

Umberto Bossi disse também que o seu partido vai apoiar Angelino Alfano, o herdeiro político de Silvio Berlusconi, como novo chefe de governo.

Alfano, ex-ministro da Justiça de Berlusconi, é atualmente secretário-geral do PDL (Povo da Liberdade), de Berlusconi e é hoje considerado um nome capaz de liderar uma eventual transição no país – que passaria a contar com o apoio da oposição centrista. Nos últimos dias, a maioria de Berlusconi no Parlamento perdeu força com as dissidências dentro de seu partido. Três deputados abandonaram o PDL e se uniram à oposição de centro. Outros 20 manifestaram descontentamento com a atual situação, o que não garante os votos para Berlusconi.

Na véspera da votação, Silvio Berlusconi foi obrigado a desmentir (inclusive por meio do Facebook) os boatos de renúncia. O ministro italiano das Finanças, Guido Tremonti, deixou uma reunião com seus colegas da União Europeia em Bruxelas para retornar a Roma para participar na votação.

O premier enfrentará nos próximos dias um voto de confiança vinculado às medidas anticrise adotadas no fim de outubro pela União Europeia.

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