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Berlusconi é chamado de Mubarak italiano e ameaça a Magistratura

por Wálter Maierovitch publicado 11/02/2011 06h00, última modificação 11/02/2011 12h37
Situação só não é pior por ter a Itália, na presidência da República, um estadista do porte de Giorgio Napolitano

Ruby, rouba coração. É como ficou conhecida pós escândalo com Berlusconi
1. Nas ruas, os italianos tentam acrescentar comicidade à tragédia. Berlusconi, eles dizem, é o Mubarak italiano, pois resiste em deixar o governo.
Uma outra afinidade existe com Mubarak. Quando da prisão de Ruby, uma prostituta que quando  menor de idade frequentava as orgias berlusconianas, o premiê ligou para o departamento de polícia e exigiu, a  pretexto de evitar rompimento de relações internacionais com o Egito presidido por Mubarak, a libertação da menor. Berlusconi mentiu ao afirmar que Ruby era sobrinha de Mubarak: ela estava custodiada por furto. Ruby é nascida no Marrocos e não tem nenhum parente natural do Egito.
Hoje, Berlusconi foi informado que a Magistratura do Ministério Público de Milão formalizou duas graves acusações contra ele: concussão e desfrutamento de prostituição infantil.
A concussão consistiu em se aproveitar do cargo para exigir a liberação de uma menor custodiada em departamento de polícia. Vale lembrar que inúmeras ligações telefônicas e SMS foram trocados entre Berlusconi e Ruby, bem antes de ela ser custodiada. Ruby tinha o número e ligava direto para o celular de Berlusconi. Sobre isso, a prova é fartíssima.
Não bastasse para Berlusconi, o Ministério Público milanês solicitou à magistrada Cristina Di Censo, responsável pela instrução preliminar do processo, a adoção do rito chamado “juízo imediato” (julgamento imediato). A juíza terá o prazo de cinco dias para decidir se aceita o “giudizio immediato”.
2. Massacrado pela robustez e evidência das provas e não querendo ser julgado rapidamente, Berlusconi passou para o ataque.
Hoje, Berlusconi ameaçou pedir indenização pecuniária ao Estado italiano pelo fato de a magistratura do Ministério Público o estar difamando com falsas acusações sobre Ruby e concussão.
Para Berlusconi, a Magistratura o quer enlamear. Isso para que deixe o governo. Com a nova ação, afirma Berlusconi, tenta cassar os votos dos italianos que o elegeram democraticamente.
Berlusconi disse que vai propor, em Brescia ou Roma, uma ação contra os magistrados do Ministério Público de Milão por crime tipificado no artigo 289 do Código Penal: “Atentado contra órgãos constitucionais”. O órgão constitucional é o cargo de premiê, diz Berlusconi.
PANO RÁPIDO. Berlusconi se finge de vítima como se nada tivesse ocorrido. Ele confunde o público com o privado e, pela falta de compostura, expõe internacionalmente a imagem da Itália. Essa situação só não é pior por ter a Itália, na presidência da República, um estadista do porte de Giorgio Napolitano. Napolitano é  respeitado internacionalmente pela sua história de vida e pelos valores éticos que pratica
Como responde a três outros processos com condenações certas, Berlusconi precisa se manter no cargo para fazer pressões.
Ele aposta na aprovação de leis ad personam e jogará todas as fichas para que a Corte Constitucional as convalide.
Berlusconi quer, por exemplo, a aprovação imediata da lei que fixa o tempo de duração do processo criminal  e determine a sua extinção passado o prazo fixado para a tramitação (processo breve).
Com a lei do chamado “processo breve”, o primeiro-ministro Berlusconi  pensa em mandar ao arquivo três processos em curso: (1) acusação por ter corrompido o advogado inglês Mills (já definitivamente condenado por falso testemunho) para que mentisse na Justiça, (2) fraude fiscal em face de direitos televisivos da Mediaset e (3) fraude fiscal e apropriação indébita na sociedade Mediatrade.
* Matéria publicada originalmente no Terra Magazine

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