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Berlusconi diz que aviões italianos "não dispararão" contra Kaddafi

por Redação Carta Capital — publicado 21/03/2011 17h38, última modificação 21/03/2011 17h38
Apesar do voto a favor da intervenção no Conselho de Segurança, o premiê da Itália diz que não atacará o país comandado pelo amigo e companheiro de "bunga-bunga"

A Itália votou, no Conselho de Segurança da ONU, a favor da intervenção de forças estrangeiras contra Muammar Kaddafi na Líbia. O premiê italiano, Silvio Berlusconi, porém, não parece muito animado a atacar o amigo que há poucos meses armou sua tenda em Roma e tanto ensinou sobre práticas como o "bunga-bunga" usado por Berlusconi em suas orgias.

"Aviões italianos não dispararam e nem o farão", declarou nesta segunda-feira 21 o primeiro-ministro. Berlusconi havia dito, desde o início, que a Itália apenas ofereceria bases em seu território para os países dispostos a bombardear as posições do ditador líbio. Há mais de um mês, Kaddafi resiste a uma revolta popular no país, que evoluiu para um estado de guerra civil.

Além da amizade histórica entre Berlusconi e Kaddafi, a proximidade geográfica entre os países também é motivo para contenção por parte dos militares italianos. O número de refugiados que chegam de barco às ilhas do sul da Itália é cada vez maior. "Precisamos nos preocupar em abrigar mais de 12 mil refugiados", disse Berlusconi, "os outros que façam suas partes".

De acordo com o jornal Corriere della Sera, o ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, também mostrou-se preocupado com retaliações de Kaddafi atingirem o território italiano. Para La Russa, os mísseis líbios não representam ameaça, por terem curto alcance. O problema, diz o ministro, está na possibilidade terrorismo orquestrado pelo ditador: "O perigo verdadeiro é de atentados líbios em nosso território".

Ataques a Trípoli
O bombardeio a diversas posições das tropas leais a Kaddafi continuou nesta segunda-feira. Na capital Trípoli, explosões foram relatadas por correspondentes de redes de televisão. Kaddafi convocou uma grande marcha popular rumo a Bengazi, cidade tomada pelos rebeldes.

O ditador pretende reunir milhares de simpatizantes civis para atrapalhar as operações de ataque da coalizão de 11 países que age com base no Mediterrâneo. Kaddafi também incentivou vários de seus apoiadores a formarem um escudo humano em torno do palácio presidencial para evitar ataques.

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