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Bento XVI promete "incondicional obediência" ao futuro papa

por AFP — publicado 28/02/2013 10h29, última modificação 28/02/2013 13h10
Após o discurso de despedida, Joseph Ratzinger se despediu um por um dos cardeais, entre os quais havia alguns dos favoritos para sucedê-lo

CIDADE DO VATICANO (AFP) - Bento XVI, o primeiro papa em quase 700 anos a renunciar, prometeu nesta quinta-feira 28 obediência a quem for designado seu sucessor. Após oito anos, deixou oficialmente o Vaticano por volta das 13h (de Brasília).

"A partir de hoje prometo ao futuro papa a minha incondicional reverência e obediência", disse Bento XVI em uma breve cerimônia de despedida dos cardeais, na Sala Clementina do Vaticano.

Após estas palavras, o papa se despediu um por um dos cardeais, entre os quais havia alguns dos favoritos para sucedê-lo à frente de uma Igreja atingida nos últimos tempos por escândalos e intrigas.

Este encontro foi a primeira atividade da agenda oficial do último dia do pontificado de Joseph Ratzinger, o papa alemão de 85 que, após oito anos no trono de Pedro, tomou a decisão de renunciar alegando "falta de forças".

Bento XVI embarcaria sem seguida em um helicóptero rumo a Castelgandolfo, a residência de verão dos papas, onde viverá durante dois meses.

Sua chegada a esta pequena região do sudeste de Roma está prevista para 20 minutos depois. Após uma breve saudação da sacada, se instalará no suntuoso palácio e as portas se fecharão às suas costas.

Dois meses depois, Ratzinger, que será chamado de "Papa Emérito", se instalará em um antigo convento dentro dos muros do Vaticano que está sendo reformado para acolhê-lo.

A renúncia do pontífice abre caminho para a realização do conclave para eleger um novo papa, que pode começar na segunda semana de março se todos os cardeais já estiverem em Roma.

Entre os nomes que mais aparecem, figuram os dos cardeais brasileiros Claudio Hummes, Odilo Scherer ou João Braz de Aviz, assim como do filipino Luis Antonio Tagle ou do canadense Marc Ouellet, um grande conhecedor da América Latina.

A decisão de Bento XVI marca um precedente na história da Igreja Católica, que conta com 1,1 bilhão de fiéis em todo o mundo.

Entre os temas que o próximo papa terá sobre a mesa figuram a difusão da mensagem católica para além da congregação de fiéis, a modernização da instituição e a resposta às acusações de corrupção e de acobertamento de padres pedófilos.

A renúncia papal abriu caminho a questionamentos até então inimagináveis.

O chefe da Igreja Católica australiana, o cardeal George Pell, que participará do conclave, afirmou que Bento XVI é um professor brilhante, mas considerou que "o governo não era o seu forte", em declarações divulgadas nesta quinta-feira.

Bento XVI se despediu na quarta-feira dos fiéis em uma audiência na praça de São Pedro, onde confessou ter vivido dias agitados durante seu papado, embora tenha dito que a Igreja segue viva e que Deus não a deixará afundar.

Durante esta inédita despedida papal transmitida ao vivo pela televisão, o chefe da Igreja católica explicou que não abandona a cruz, uma resposta às críticas provocadas por seu gesto entre alguns católicos.

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