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Barbas de molho

por Redação Carta Capital — publicado 07/02/2011 11h38, última modificação 07/02/2011 16h29
Países vizinhos a Mubarak procuram fugir ao mesmo destino. Na Argélia, onde a última eleição livre ocorreu em 1991, governo anuncia que levantará estado de exceção. Da Redação

Governo tenta prevenir maiores protestos com concessões antecipadas
Alguns vizinhos de Hosni Mubarak prestam atenção e procuram fugir ao mesmo destino. Abdelaziz Bouteflika, cujas duas eleições para presidente da Argélia em 1999 e 2004 foram contestadas pela oposição, anunciou em 3 de fevereiro que levantará, em breve, o estado de exceção em vigor desde 1992 e ordenará às tevês e rádios estatais assegurar a cobertura das atividades de organizações e partidos legalmente autorizados.
A última eleição realmente livre na Argélia ocorreu em dezembro de 1991 e o primeiro turno foi vencido pela Frente de Salvação Islâmica. Os militares intervieram, cancelaram o segundo turno, proibiram os partidos islâmicos e seguiram-se dez anos de guerra civil, na qual morreram 160 mil argelinos. Bouteflika, escolhido pelos militares, começa a ser desafiado por manifestações no interior. Na capital, estão proibidas há dez anos, mas uma marcha por reformas democráticas está sendo convocada para 12 de fevereiro por líderes da oposição, grupos de direitos humanos, sindicatos e estudantes.
Como em outros países da África do Norte, a alta dos preços dos alimentos e o elevado desemprego juvenil criam insatisfação, e muito mais do que qualquer outro país da região, a Argélia tem uma tradição de agressiva militância fundamentalista – e também de repressão violenta. O governo pretende dividir o movimento aliviando a pressão sobre a oposição consentida, enquanto ameaça os potenciais manifestantes com sua mão pesada.

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