Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Obama defende criação de Estado palestino com as fronteiras de 1967

Internacional

Oriente Médio

Obama defende criação de Estado palestino com as fronteiras de 1967

por Redação Carta Capital — publicado 19/05/2011 15h10, última modificação 19/05/2011 19h14
“Uma paz duradoura envolve dois Estados para dois povos”, afirmou o presidente dos EUA, que prometeu ajuda financeira às nações árabes. Israel rejeita proposta.

Às vésperas de um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um discurso direcionado ao mundo árabe, no qual defendeu a criação do Estado palestino com base nas fronteiras que existiam antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967. "A paz entre Israel e Palestina é mais urgente do que nunca", destacou o presidente norte-americano. “Uma paz duradoura envolve dois Estados para dois povos”.

“A retirada completa e em etapas das forças militares israelenses deve ser coordenada com a pretensão da responsabilidade de segurança palestina em um estado soberano e não militarizado”, acrescentou Obama. “A duração deste período de transição precisa ser acertada e a efetividade de arranjos de segurança precisam ser demonstrados”.

Obama ressaltou, porém, que os grupos políticos da região precisam abdicar da violência. “Os palestinos nunca chegarão à independência se negarem o direito de existência de Israel.”

Primavera árabe
O discurso de Obama centrou-se também na realidade da região após as revoltas árabes, que até o momento derrubaram dois ditadores, Ben Ali (Tunísia) e Hosni Mubarak (Egito), e que criaram impasses políticos em países como Síria, Iêmen e Bahrein, onde os governos respondem violentamente às demandas dos manifestantes. O caso mais grave, disse Obama, é o da Líbia, atualmente em estado de guerra civil e sendo atacado pelas forças da Otan. “Na Líbia, nós vimos um cenário de massacre iminente. Tínhamos um mandato para a ação e ouvimos o pedido de ajuda do povo líbio. Se não tivéssemos agido, milhares teriam morrido. E a mensagem seria clara: É possível ficar no poder matando quantos forem necessários.”

O presidente da Síria, Bashar el Assad, que responde aos protestos dos manifestantes com uma dura repressão, teve seus bens nos EUA congelados na quarta-feira 18. Em seu discurso, Obama disse que “Assad deve escolher entre seguir ou sair do caminho da transição” e destacou que os “sírios mostraram sua coragem ao optarem por lutar por reformas”.

Também foi anunciado no discurso um pacote de ajuda aos países árabes que sofreram mudanças de governo com as revoltas e também para os países que aceitaram promover reformas democráticas. É o caso do rei Abdalá da Jordânia, um dos que promove reformas democráticas e que se encontrou com Obama na terça-feira 17. O governo dos EUA teme, segundo o jornal espanhol El País, que a deterioração econômicas dessas nações, já visível no caso do Egito, torne mais difícil a instalação de governos estáveis politicamente.

Reação

Em resposta ao discurso do presidente norte-americano, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a afirmar que não devolverá à Palestina os territórios ocupados em 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Ele chegou a pedir que Obama apóie um compromisso de não exigir a retirada do povo judeu nesses territórios. As informações são da agência de notícias Efe e da multiestatal Telesur.

Por meio de um comunicado oficial, Netanyahu afirmou que "os grandes centros populacionais (colônias de Judéia e Samaria - como a Cisjordânia é referida pelos premiê) ficarão do lado de fora dessas fronteiras" entre Israel e o futuro Estado palestino.

Tais compromissos "também asseguram o bem-estar de Israel como Estado judeu ao deixar claro que os refugiados palestinos se estabelecerão no futuro Estado palestino, em vez de Israel", ressaltou.

"Sem uma solução ao problema dos refugiados palestinos fora das fronteiras de Israel, nenhuma concessão territorial trará a paz", acrescentou.

*Com informações da Opera Mundi

Leia a íntegra do pronunciamento do presidente dos EUA no site do The New York Times

registrado em: