Internacional

Repressão

Avós da Praça de Maio anunciam ter encontrado 102º neto desaparecido na ditadura

por Opera Mundi — publicado 20/09/2010 17h05, última modificação 20/09/2010 17h05
Com a redemocratização, entidades de direitos humanos e movimentos como as Avós lutaram para reencontrar as crianças

Por Daniella Cambaúva*

A associação das Avós da Praça anunciou nesta segunda-feira (20/9) que o neto número 102, desaparecido durante a última ditadura militar no país (1976/1983), foi encontrado.

A identidade do rapaz não foi revelada pois ele ainda está “processando a notícia do desaparecimento de seus pais”, explicou Estela Barnes de Carloto, presidente da associação, que reúne mães e avós de desaparecidos que buscam netos nascidos em prisões ou cativeiros, e que posteriormente foram adotados.

Durante a ditadura, filhos de prisioneiros políticos foram entregues ilegalmente a militares ou a simpatizantes do regime. Com a redemocratização, entidades de direitos humanos e movimentos como as Avós lutaram para reencontrar as crianças. Estima-se que 500 bebês foram adotados clandestinamente e que 30 mil pessoas desapareceram durante a regime.

O neto 102 é filho dos militantes da organização Montoneros María Graciela Tauro e Jorge Daniel Rochistein. Ele tem 32 anos, é advogado especializado em meio ambiente e trabalha para o governo federal. Quando surgiu a suspeita de que era filho de desaparecidos, fez o exame de DNA e comparou com as demais amostrar disponíveis no Banco Nacional de Dados Genéticos.

Os pais foram sequestrados em 15 de julho de 1977. Na ocasião, o parto de María Graciela foi feito na ESMA (Escola de Mecânica da Armada) uma das maiores prisões clandestinas de Buenos Aires. Após o nascimento, o bebê foi doado e, tempos depois, os pais biológicos foram assassinados. O ex-oficial da Força Aérea Juan Carlos Vázquez Sarmiento, foragido, está sendo processado por esse sequestro.

Madariaga - O último desaparecido encontrado foi Francisco Madariaga Quintela, em fevereiro deste ano. Ele é filho de Silvia Mónica Quintela, assassinada na prisão, e de Abel Pedro Madariaga, membro das Avós da Praça de Maio.

Atualmente, o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, tenta obrigar Marcela e Felipe Herrera de Noble a fazerem novo exame de DNA para descobrir se foram adotados ilegalmente na ditadura por Ernestina Herrera de Noble, principal acionista do Grupo Clarín. Os herdeiros do Clarín se recusam a realizar o exame e chegaram até a adulterar as amostras.

*Matéria originalmente publicada no Opera Mundi

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