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Autoridades descartam participação da máfia em atentado a escola

por AFP — publicado 20/05/2012 15h49, última modificação 20/05/2012 15h49
Para investigadores, explosão em Brindisi, que matou uma jovem, pode ser ação de 'desequilibrado'
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As autoridades italianas que investigam o atentado de sábado contra um colégio de Brindisi (sul), que matou uma adolescente de 16 anos e provocou indignação em todo o país, descartaram neste domingo o envolvimento da máfia e o atribuem a "ação de um desequilibrado".Foto: Controluce/AFP

BRINDISI, Itália (AFP) - As autoridades italianas que investigam o atentado de contra um colégio de Brindisi no sábado 19, no qual uma adolescente de 16 anos morreu, descartaram o envolvimento da máfia e o atribuíram a ação a "um desequilibrado".

"Trata-se de um gesto isolado, não necessariamente de um ato terrorista", afirmou, neste domingo 20, durante uma coletiva de imprensa, o promotor de Brindisi (sul), Marco Di Napoli.

"Poderia ser o gesto de uma pessoa em guerra com o mundo ou com problemas psicológicos", acrescentou, após reconhecer que "todas as pistas continuam abertas".

Segundo o promotor, a polícia elaborou um retrato do autor do atentado, que aparece nas gravações das câmaras de vigilância instaladas próximas ao colégio. As imagens captadas são de um homem "adulto" e não estrangeiro se preparando para explodir a bomba. "São imagens terríveis", disse Di Napoli.

Duas pessoas foram interrogadas pela polícia de Brindisi dentro das investigações do atentado, segundo fontes da imprensa local.

A ação, realizada com um artefato caseiro composto por três botijões de gás conectados e ocultos em mochilas colocadas junto ao colégio profissionalizante, ainda não teve a autoria reivindicada.

A explosão aconteceu sábado por volta das 07h45 da manhã (02h45 de Brasília), quando os alunos entravam no colégio Morvillo-Falcone, que leva o nome da esposa do juiz Giovanni Falcone, Francesca Morvillo-Falcone, assassinados há 20 anos em um atentado da máfia siciliana.

De acordo com o site de notícias Brindisireport, um dos interrogados é um ex-militar com conhecimentos em eletrônica e com parentes com uma loja de distribuição de botijões de gás para uso doméstico.

O atentado, inédito na Itália considerando o alvo escolhido, causou indignação e levou a numerosas manifestações nas cidades de Roma, Nápoles, Milão e Bolonha.

A explosão matou Melissa Bassi, de 16 anos, e deixou gravemente ferida uma colega de mesma idade.

Quatro adolescentes estão hospitalizadas e foram operadas por causa de graves queimaduras no corpo.

Para o promotor, quem cometeu o crime conhecia a escola e seus horários, além de ter conhecimentos em eletrônica.

Homenagens

Centenas de pessoas se reuniram domingo em frente ao instituto para depositar flores e cartões e prestar homenagem às vítimas do primeiro atentado na Itália contra uma escola pública, frequentada por alunos de todas as condições sociais.

"Isso é inaceitável, o país deve se rebelar", disse o diretor da instituição, Angelo Rampino.

Em um primeiro momento, a hipótese levantada foi a do envolvimento da máfia, por causa do nome do colégio e que uma "caravana da legalidade" deveria passar por Brindisi neste fim de semana para comemorar o aniversário da morte de Falcone.

"A Sacra Corona Unita, a máfia de Apulia, está muito enfraquecida, não acredito que seja capaz de organizar algo parecido", comentou o chefe da divisão local contra a máfia, Cataldo Motta.

Além disso, o fato de que a máfia nunca tenha atentado contra escolas, e seus artefatos serem feitos com dinamite, levaram os investigadores a outras pistas.

Alguns editorialistas mencionaram o temor sobre a volta dos chamados "anos de chumbo",  um período em que o terrorismo de esquerda e de direita encheu a península de sangue, deixando um saldo de 415 mortos em 15 mil atentados entre 1969 e 1988.

Uma série de episódios recentes causaram preocupações no país, levando o governo a reforçar na quinta-feira 17 os dispositivos de segurança para mais de 14 mil possíveis alvos terroristas, depois do atentado em Gênova em 7 de maio contra a direção do grupo Ansaldo Nucleare, especializado em energia nuclear.

Esse atentado foi reivindicado por um grupo anarquista, que ameaçou realizar novas ações.

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