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Autoridade eleitoral confirma vitória do PRI no México

por AFP — publicado 06/07/2012 16h03, última modificação 06/06/2015 16h55
Recontagem dá mais de 38% para Enrique Peña Nieto, que deve ser o novo presidente. Esquerda contesta resultado e fala em compra de votos
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Enrique Peña Nieto participa de encontro com a imprensa internacional na Cidade do México em 2 de julho. Foto: Yuri Cortez / AFP

CIDADE DO MÉXICO (AFP) - O candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México, Enrique Peña Nieto, foi ratificado como vencedor da eleição presidencial de domingo com 38,21% dos votos, segundo o recontagem oficial divulgada nesta sexta-feira 6. Partidos de esquerda, entretanto, continuam afirmando que vão tentar impugnar o resultado e denunciam fraudes por meio da compra de votos.

O candidato da coalizão de esquerda, Andrés Manuel López Obrador, obteve 31,59% dos votos, enquanto a candidata do Partido Ação Nacional (PAN, atualmente no poder), Josefina Vázquez Mota, levou 25,41%, de acordo com o resultado oficial divulgado no site do Instituto Federal Eleitoral (IFE). Este resultado final é muito similar aos números preliminares anunciados na noite de domingo pelo IFE, baseado em uma seleção de mesas representativas e que López Obrador negou-se a aceitar.

A contagem oficial será entregue agora pelo IFE ao Tribunal Federal, que na próxima semana receberá as impugnações e terá até o dia 6 de setembro para anunciar o novo presidente.

López Obrador antecipou que tentará impugnar perante o Tribunal e que manterá seu protesto de forma pacífica e "pela via legal", se diferenciando de sua atitude de 2006, quando ao perder por pouco para Calderón seus partidários bloquearam a capital mexicana por várias semanas. A opção que certamente utilizará é alegar que o PRI gastou acima do legalmente permitido (cerca de 30 milhões de dólares por partido) e que parte deste dinheiro foi utilizado para a compra de votos. Com isso, "estaria protegendo a possibilidade de se lançar novamente em 2018 e, em caso de não ser candidato, abrindo as opções para a esquerda de chegar ao poder", explicou a analista política Ana María Salazar em sua coluna do jornal El Universal.

A contagem dos votos nos 300 distritos nos quais o país de 112 milhões de habitantes se divide começou na quarta-feira e terminou na manhã desta sexta-feira, com um atraso de um dia em relação ao esperado. Em quase 50% das pouco mais de 144 mil mesas de votação foi realizada a recontagem de voto por voto depois de terem sido detectadas inconsistências na contagem preliminar.

Benito Naciff, conselheiro do IFE, explicou em declarações à emissora Formato 21 que a demora deveu-se ao "grande número de pacotes que foram abertos" e, em alguns casos, às prolongadas discussões entre funcionários eleitorais em torno de alguns votos que ainda provocavam dúvidas.

López Obrador havia pedido a recontagem dos votos em todas as urnas, assim como fez em 2006 quando perdeu por 0,56% para Felipe Calderón. O esquerdista rejeitou o resultado da eleição preliminar, argumentando a compra massiva de votos e uma campanha dos grandes meios de comunicação a favor do PRI. "Pode-se afirmar o que for, mas é preciso apresentar provas", respondeu a essa acusação Peña Nieto, em entrevista ao jornal espanhol El País publicada nesta sexta-feira. Antes, Peña Nieto havia negado qualquer relação com os cartões de compras e reiterou que sua eleição foi limpa.

O presidente Calderón somou-se às vozes que pedem que sejam investigadas as denúncias sobre um uso excessivo de dinheiro nas campanhas. "Não posso afirmar que tenha ocorrido, mas acredito, como presidente e como cidadão, que as autoridades eleitorais estão obrigadas a nos dar uma resposta sobre isso", disse Calderón ao jornal Excelsior.

A esquerda alega que o PRI, que governou o México de forma hegemônica entre 1929 e 2000, usou dinheiro proveniente, em parte, de estatais para comprar votos mediante cartões de compra em uma rede de lojas. As denúncias da esquerda se basearam em imagens mostradas nos meios de comunicação de pessoas que iam a supermercados com um cartão de compras que teriam recebido em troca de votar pelo PRI. A liderança nacional do PRI denunciou formalmente perante a promotoria a esquerda, afirmando que estas imagens são uma montagem, e também afirmou que está disposta a aceitar uma recontagem de todos os votos. "Se isso produz transparência, certeza e confiança, o PRI aceita", disse o presidente do partido, Pedro Joaquín.

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