Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Aumenta número de manifestantes nas ruas do Egito depois de medidas do governo

Internacional

Egito

Aumenta número de manifestantes nas ruas do Egito depois de medidas do governo

por Agência Brasil publicado 29/01/2011 16h39, última modificação 29/01/2011 16h39
O presidente Mubarak anunciou a demissão do gabinete e a manutenção das medidas de segurança. O primeiro-ministro, Ahmed Nazif, e demais integrantes do alto escalão do governo renunciaram neste sábado

Por Eduardo Castro, correspondente da EBC na África

Maputo (Moçambique) – A exemplo do que aconteceu na Tunísia, as primeiras medidas tomadas pelo governo egípcio para conter a série de manifestações acabou por levar mais gente às ruas para protestar. Hoje (29), o número de participantes das passeatas era ainda maior, tanto no Cairo quanto em outras cidades.

Já na madrugada, o presidente Hozny Mubarak anunciou a demissão do gabinete e a manutenção das medidas de segurança. O primeiro-ministro, Ahmed Nazif, e demais integrantes do alto escalão do governo renunciaram neste sábado. Além disso, Mubarak empossou Omar Suleiman, chefe da inteligência e aliado, como vice-presidente. A posição nunca havia sido preenchida desde a posse de Mubarak, em 1981. Outra alteração foi retirar a polícia das ruas e colocar as Forças Armadas no lugar.

Logo de manhã, os manifestantes começaram a se reunir aos milhares. Mas, ao contrário da véspera, quando houve grandes confrontos com a polícia – e um número de mortos que pode ultrapassar os 100 – tem prevalecido a calma. Funerais de vítimas dos protestos de ontem (28) foram realizados durante as manifestações de hoje.

“Não houve confronto hoje. A demonstração é pacífica. Tem tanta gente na rua que os blindados estão cercados pela multidão, sem fazer nada”, diz o embaixador brasileiro no Cairo, Cesário Melantônio. “O governo adiantou o toque de recolher para as 16h hoje, mas a população, mais uma vez, não vai cumprir”, afirmou.

De acordo com o embaixador, é difícil prever o que vai acontecer. “Até agora, um impasse total entre o que a população o governo querem. Os manifestantes querem a saída do presidente. Ele pretende continuar.” Mas a comparação com a Tunísia, lembra ele, é automática. “É inegável o efeito do que aconteceu na Tunísia. Fez com que a população perdessem o medo de sair e pedir uma mudança de regime.”

Entretanto, Cesário Melantônio acrescenta que, diferentemente do que ocorre na Tunísia, no Egito praticamente não tem oposição, o que dificulta a negociação com o governo. E, ao mesmo tempo, deixa temerosos os atores internacionais, pois o país tem um peso geoestratégico muito maior que o tunisino.

“A reação de países da União Europeia e dos Estados Unidos vai ter um grande peso sobre o Egito”, acredita o representante brasileiro, lembrando que Hozny Mubarak é um grande aliado dos norte-americanos. “Se, por acaso, houver eleições livre e limpas, [o surgimento de] um governo novo, de política externa independente, distanciada de Israel, pode ter grande efeito na política geral do Oriente Médio.”

Dos 22 países da Liga Árabe, só Jordânia e Egito reconhecem a existência do Estado de Israel. Israel é o maior beneficiário da ajuda externa norte americana no mundo. O segundo lugar é do Egito.

Por telefone, o presidente Barack Obama disse a Mubarak que ele “tem a responsabilidade de dar sentido às suas palavras, e dar passos concretos para cumprir suas promessas.” Repetiu a mensagem da secretária de estado Hillary Clinton, feitas horas antes, de “conter a violência contra manifestantes pacíficos”, e reverter os bloqueios às comunicações.

Em 2010, o Egito recebeu U$1,3 bilhão em auxílio militar e U$ 250 milhões em ajuda financeira dos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, a assistência pode ser “revista” com base no que acontece no país.

registrado em: ,