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Atentado reabre fogo cruzado no sul de Israel

por Redação Carta Capital — publicado 19/08/2011 12h20, última modificação 20/08/2011 19h57
Grupo palestino matou oito na quinta-feira 18 próximo à cidade de Eilat. Israel iniciou retaliação violenta na Faixa de Gaza; Estados Unidos manifestaram apoio a Israel
Atentado reabre fogo cruzado no sul de Israel

Grupo palestino matou oito na quinta-feira 18 próximo à cidade de Eilat. Israel iniciou retaliação violenta na Faixa de Gaza; Estados Unidos manifestaram apoio. Foto: Mohammed Abed / AFP

Uma nova onda de atentados recíprocos entre israelenses e palestinos nos últimos dias aumentou a tensão na região. Na quinta-feira 18, palestinos de Gaza atingiram alvos nas cercanias da cidade israelense de Eilat. No dia seguinte, o mesmo grupo lançou 22 foguetes no sul do país. Em resposta, Israel passou a organizar ofensivas violentas contra Gaza, deixando a população local em pânico.

Os atiradores palestinos cruzaram a fronteira na divisa da Península do Sinai e atacaram diversos veículos, deixando oito israelenses mortos e mais de 20 feridos. Seguranças no local teriam matado sete supostos militantes, enquanto cerca de outros 20 fugiram. Pouco depois, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou que responderia à altura. Caças israelenses bombardearam Rafah, no sul da faixa de Gaza, deixando pelo menos seis palestinos mortos. “Se alguém pensa que nos limitaremos a isso, está enganado”, disse em discurso na tevê, anunciando uma empreitada mais demorada contra os membros do Comitê de Resistência Popular, grupo palestino envolvido no ataque e que teve um de seus líderes mortos por Israel nesta madrugada de quinta-feira 18.

O Hamas negou envolvimento no ataque. Há indícios de que uma criança palestina tenha sido morta pelos bombardeios das Forças de Defesa Israelense (FDI). Nesta sexta-feira 19, ataques das Forças Aéreas continuam em Gaza, enquanto foguetes são lançados a todo o momento em Israel. Apesar disso, apenas uma pessoa ferida encontra-se em estado grave com os bombardeios palestinos.

Pouco depois do início do incidente, Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, afirmou que EUA e Israel estão unidos na luta contra o terrorismo. A situação no Egito tornou-se mais delicada depois da queda de Hosni Mubarak, ditador que assinou um Tratado de Paz com o Israel. Segundo Clinton, é necessário encontrar rapidamente uma solução duradoura para a região. Desde a revolução no Egito, militantes já realizaram dois ataques a um gasoduto que liga o Egito a Israel.

Acredita-se que os terroristas tenham atravessado o percurso de Gaza ao Sinai por túneis e estariam invadido a fronteira até a estrada onde ocorreram os três ataques, a 15 quilômetros de Eilat, cidade turística da região.

Apesar do Exército de Israel não confirmar os alvos das retaliações, fontes anônimas palestinas disseram a agências de notícias que bombardeios atingiram locais usados por terroristas -- dois túneis de contrabando e um depósito de armas. Entre os mortos, uma criança de 13 anos.

Histórico de conflitos

Em setembro, a Onu deve votar o reconhecimento do Estado Palestino, o que torna a situação ainda mais tensa na região. Apesar de a maioria acreditar numa resolução pacífica, paira no ar o temor de um agravamento do conflito. Há cerca de uma semana, Israel aprovou a construção de 1.600 casas na parte palestina de Jerusalém. Os assentamentos judaicos na Cisjordânia são foco de conflito, pois a região é considerada por muitos países como território palestino, ainda que não reconhecido como tal por Israel.

Segundo o cientista político Magid Shihade, ouvido pela CartaCapital em março, faz parte da estratégia israelense dividir para governar. Assim, os territórios palestinos são todos fragmentados, entrecortados por check-points israelenses na divisa com terras dominadas por Israel. “É como se eu pegasse seu maço de cigarros e dissesse ‘Talvez eu te dê um cigarro’”, diz Shihade.

A Faixa de Gaza tem 1,5 milhões de habitantes e está sob o controle de Israel desde 1967. O bloqueio à Faixa teve início em junho de 2006 com a captura do soldado Gilad Shalit por militantes do Hamas. Foi intensificado em 2007, quando o Hamas expulsou o Fatah do território. Israel invadiu Gaza no fim de dezembro de 2008, após militantes do Hamas lançarem foguetes caseiros Qassam contra o território israelense. A ofensiva, denominada Operação Chumbo Fundido, durou 22 dias: 1.390 palestinos foram mortos, segundo a ONG israelense B’Tselem. Destes, 759 não teriam tomado parte nas hostilidades, e 318 dos mortos tinham menos de 18 anos.

Fatah e Hamas fecharam em maio um acordo de reconciliação. “E essas novas lideranças palestinas concordam que uma luta armada, com base no estatuto original da Organização de Libertação da Palestina (1964) é a única solução para reavermos nossas terras com as fronteiras dos tempos do Mandato Britânico (1914-1939)”, disse à revista, em março, Mohammed Assad, professor de lingüística da Universidade de Al-Azhar.

Segundo o jornal israelense Haaretz, o país se prepara militarmente para um possível conflito com a Síria, e acredita num "derramamento de sangue por parte dos palestinos", segundo declarações de Avigdor Lieberman, ministro das Relações Exteriores de Israel.

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