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Internacional

Atentado em Cabul é a resposta mais violenta contra o filme anti-islã

por AFP — publicado 18/09/2012 18h24, última modificação 06/06/2015 19h23
O grupo Hezb-e-Islami, a segunda maior formação de insurgentes afegãos atrás do talibã, reivindicou a responsabilidade pelo ataque
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Policiais afegãos observam a área do ataque suicida em Cabul. Foto: AFP

O ataque que matou pelo menos 12 pessoas nesta terça-feira 17 em Cabul, reivindicado por rebeldes afegãos, foi a resposta mais violenta até agora contra o filme anti-islã A inocência dos Muçulmanos. Os produtores foram acusados de incitamento ao ódio no Egito.

O grupo Hezb-e-Islami, a segunda maior formação de insurgentes afegãos atrás do talibã, reivindicou a responsabilidade pelo ataque suicida em um micro-ônibus em uma estrada para o aeroporto de Cabul, que matou oito sul-africanos, um quirguiz e três afegãos.

O Hezb-e-Islami alega ter praticado o ataque em resposta ao filme de baixo orçamento produzido nos Estados Unidos que apresenta o profeta Maomé como um bandido com práticas desviantes.

O Procurador-Geral do Egito se comprometeu nesta terça-feira a processar sete coptas egípcios que vivem nos Estados Unidos e que são suspeitos de envolvimento na produção e distribuição do filme anti-Islã, que provocou uma onda de violência, com um registro de 31 mortos na última semana no mundo muçulmano.

Os sete homens - Morris Sadek, Nabil Bissada, Esmat Zaklama, Elia Bassily, Ihab Yaacoub, Jack Atallah e Adel Riad- são acusados de "insultar o Islã, insultar o profeta (Maomé) e incitar o ódio religioso", segundo um comunicado da Procuradoria-Geral, que ainda não definiu uma data para o julgamento.

A família de Nakula Basseley Nakula, o produtor do filme, foi retirada na segunda-feira do subúrbio de Los Angeles pela polícia para ser levada a um local desconhecido para encontrá-lo.

Um ímã salafista egípcio também lançou uma fatwa, pedindo a morte de todos os protagonistas do filme, de acordo com o centro americano de monitoramento de sites islâmicos SITE.

Manifestações no Cairo contra o filme divulgado na internet abafaram as discussões sobre a redução da dívida egípcia com os Estados Unidos para um bilhão de dólares, considerou o Washington Post.

Essas discussões são destinadas a prestar uma assistência econômica fundamental ao novo governo egípcio, controlado pela Irmandade Muçulmana e que enfrenta enormes desafios econômicos após a revolta de 2011, que pôs fim ao reinado do presidente Hosni Mubarak.

Mas, de acordo com membros do governo americano citados pela imprensa dos Estados Unidos, o Egito não deve esperar para receber uma ajuda substancial - pelo menos não antes da eleição presidencial de 6 de novembro.

Novas manifestações e ameaças Novas manifestações anti-americanas ocorreram nesta terça-feira nas principais cidades do Paquistão, um país de 180 milhões de pessoas, incluindo em Peshawar (noroeste), onde a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar cerca de 2.000 manifestantes reunidos em frente ao consulado dos Estados Unidos.

As autoridades do país bloquearam o acesso ao YouTube, após a recusa do site em retirar o filme considerado blasfemo.

Confrontos também eclodiram na Caxemira indiana entre centenas de manifestantes muçulmanos e forças de segurança. Em Srinagar, a principal cidade da região de maioria muçulmana, um grupo de cerca de 300 manifestantes tentou entrar em um escritório local das Nações Unidas, mas foi impedido pela polícia, de acordo com um fotógrafo da AFP.

A Índia, que tem cerca de 150 milhões de muçulmanos, condenou o filme, considerado um "insulto".

Centenas de pessoas protestaram sob forte chuva em frente à embaixada americana em Bangcoc, Tailândia, país predominantemente budista, que tem uma minoria muçulmana.

Em Jerusalém Oriental, jovens palestinos entraram em confronto com a polícia israelense durante um protesto contra o filme, informaram a polícia e um jornalista que testemunhou o tumulto.

Os manifestantes saíram do acampamento de refugiados de Shuafat e se dirigiram para o posto de controle entre Jerusalém Oriental, ocupada, e para a parte oeste da cidade, onde os enfrentamentos foram registrados.

"Cerca de 200 jovens jogaram pedras e coquetéis molotov contra o posto. As forças de segurança impediram que se aproximassem atirando bombas de gás lacrimogêneo", declarou à AFP Luba Samri, uma porta-voz da polícia.

Segundo um jornalista da AFP, pelo menos 20 manifestantes ficaram feridos pelas bombas de gás lacrimogêneo e pelos disparos de balas de borracha.

O IntelCenter, um dos sites americanos de monitoramento de portais islâmicos, indicou nesta terça-feira que a Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), convocou no sábado seus partidários a "seguirem" o exemplo dos líbios que atacaram o consulado americano em Benghazi e a matar os embaixador dos Estados Unidos em outros países do Magrebe.

A AQIM descreveu a morte do embaixador no ataque em Benghazi como o "melhor presente" para os radicais islamitas em ocasião do aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Em Paris e em várias cidades da França, novas manifestações foram convocadas contra o filme para sábado .

A situação pode se tornar explosiva para a França, onde a revista satírica Charlie Hebdo prometeu publicar em seu próximo número, que sairá às bancas nesta quarta-feira, uma série de desenhos representando o profeta Maomé e que, segundo seu diretor, chocarão "aqueles que quiserem ser chocados".

O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, reagiu imediatamente afirmando que desaprova "qualquer excesso" e pedindo "responsabilidade".

Na Alemanha, o governo indicou que fará todo o possível para impedir a exibição de "A inocência dos muçulmanos" no país.

A facção "Pro Deutschland", que vem realizando há vários meses uma campanha contra os muçulmanos, quer exibir em um cinema de Berlim uma versão integral do longa-metragem.

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