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Atentado da Farc deixa dez militares mortos

por AFP — publicado 21/10/2011 17h43, última modificação 06/06/2015 18h15
Guardas, atacados com explosivos artesanais, reforçavam segurança em região do narcotráfico dias antes das eleições regionais

BOGOTA, Colômbia (AFP) - Dez militares que reforçavam a segurança antes das eleições regionais de 30 de outubro na Colômbia morreram nesta sexta-feira 21 em um ataque da guerrilha Farc, que no último ano intensificou suas ações violentas.

"É uma ação terrorista, é o efeito do Plano Democracia que realizamos sobre todo o território nacional", disse a jornalistas o general Alejandro Navas, comandante das forças militares, que viajou à região.

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"No caso particular do departamento de Nariño (sul, fronteira com o Equador, onde ocorreu o ataque), esse Plano Democracia tem duas mobilizações: por terra e mar. A polícia nacional está sobre a zona urbana e o Exército sobre as estradas", afirmou o oficial.

Navas explicou que em reação à estratégia das forças armadas, as guerrilhas "estão atuando em grupos pequenos, aproveitando os pontos fracos. Quando ocorrem esses golpes, são erros táticos que temos que reconhecer".

O ataque com explosivos artesanais ocorreu na madrugada desta sexta-feira contra um pelotão "que estava fazendo controle territorial, garantindo a segurança em uma área de agricultores sobre um corredor do narcotráfico", perto da cidade de Tumaco, disse o general.

Segundo o governador de Nariño, Antonio Navarro Wolf, o ataque com morteiros caseiros "foi preparado durante vários dias" pela coluna guerrilheira Daniel Aldana.

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), fundadas nos anos 1960 e atualmente com 8.000 guerrilheiros, intensificaram seus ataques no último ano.

De acordo com a Corporação Novo Arco-Íris, que estuda o conflito armado da Colômbia, as ações armadas das Farc aumentaram 10% no primeiro semestre de 2011 (1.115 ações armadas) em relação ao primeiro semestre de 2010 (1.012 ações armadas).

"Houve um aumento das hostilidades armadas entre as Farc e a força pública. Desde meados de 2008, o grupo guerrilheiro iniciou um processo de reestruturação que buscava reverter a assimetria frente à capacidade aérea e de inteligência da força pública", explicou Ariel Avila, pesquisador da Novo Arco-Íris.

"Esta transformação militar permitiu às Farc reativar estruturas, melhorar a capacidade de combate em terra e contra-atacar parcialmente nas ofensivas da força pública", completou.

Uniforme de guerrilheira das Farc apreendido em operação em 11 de outubro

De acordo com um estudo realizado pela Novo Arco-Íris e pela ONG Missão de Observação Eleitoral (MOE), ataques como o ocorrido nesta sexta-feira em Nariño geram interferência no processo das eleições regionais.

"Os altos graus de intensidade do conflito, como campos minados que provocam confinamentos, ou combates que trazem consigo a mobilização, afetarão a participação dos cidadãos em várias regiões do país", afirmaram no relatório denominado "Mapas e Fatores de Risco Eleitoral".

Além das Farc, na Colômbia está ativa a guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN), com cerca de 2.500 combatentes, segundo cálculos do Ministério de Defesa.

A MOE advertiu também sobre o impacto que teriam nessas eleições regionais as ameaças e a violência dos novos grupos criminosos, integrados por antigos paramilitares e narcotraficantes.

Nessa campanha eleitoral, 39 aspirantes a cargos eletivos foram assassinados, segundo cifras da MOE.

Nas eleições de 30 de outubro, os colombianos devem escolher os governadores de 32 departamentos, prefeitos de 1.103 municípios, assim como deputados estaduais e vereadores.

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