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Erro militar

Ataque turco mata 35 civis na fronteira com o Iraque

por AFP — publicado 29/12/2011 10h10, última modificação 29/12/2011 14h49
Governo admite ter confundido contrabandistas com rebeldes de partido curdo e pede desculpas a familiares de vítimas
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Exército teria confundido contrabandistas com rebeldes de partido curdo que tentavam entrar na Turquia para cometer atentados . Foto: ENN/AFP

ANCARA (AFP) - O partido governante na Turquia se desculpou nesta quinta-feira 29 pela morte de 35 curdos, após um bombardeio de sua aviação no Iraque. A ação ocorreu próximo à fronteira entre os dois países.

Hüseyin Çelik, vice-presidente do partido governamental AKP, admitiu em pronunciamento na televisão que as vítimas não eram guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Segundo Çelik, os civis contrabandeavam tabaco no momento do bombardeio, definido por ele como um "acidente operacional".

O político deixou em aberto a possibilidade de indenização às famílias das vítimas quando comprovado o erro.

Um comunicado do governo da província turca de Sirnak, destaca que uma investigação foi aberta.

Mais cedo, o Exército turco havia anunciado que o bombardeio tinha como alvo os rebeldes do PKK, que tentavam entrar na Turquia para cometer atentados.

Em um comunicado, o Estado-Maior das Forças Armadas destacou que o local do ataque foi Sinat-Haftanin, norte do Iraque, que não possui população civil e abriga as bases da 'organização terrorista', em referência ao PKK.

O texto afirma que caças turcos bombardearam a região "utilizada regularmente" pelos rebeldes, depois que aviões não tripulados indicaram durante a noite uma "movimentação para a fronteira".

Civis mortos

Os corpos dos civis foram levados para a localidade de Ortasu, perto da fronteira com o Iraque. A televisão local exibiu imagens das vítimas cobertas por lençóis sobre o chão de uma colina com neve, cercadas por pessoas desesperadas.

De acordo com Ertan Eris, integrante do Conselho Provincial de Sirnak e membro do Partido pela Paz e a Democracia (BDP, pró-curdo), cerca de 40 pessoas, em sua maioria com idades de 16 a 20 anos, cruzaram a fronteira para contrabandear produtos.

Os habitantes da região viajam frequentemente ao Iraque por vias clandestinas para comprar combustível e açúcar com o objetivo de revendê-los na Turquia.

Selahattin Demirtas, líder do BDP (principal partido pró-curdo na Turquia), denunciou o ataque e afirmou que todas as vítimas eram civis.

"É claramente um massacre de civis, sendo que o mais velho tinha 20 anos", afirmou Demirtas, que pediu à população curda uma reação pelas "vias democráticas" contra a matança.

O Exército turco, que bombardeia o PKK com frequência, enfrenta há alguns meses um aumento da violência dos insurgentes, que utilizam suas bases no norte do Iraque para executar ataques contra alvos no território da Turquia.

O governo turco executou uma operação ao norte do Iraque em outubro, depois que o PKK matou 24 soldados na localidade de Cukurca, perto da fronteira, no ataque mais violento contra o Exército do país desde 1993.

Na semana passada, as autoridades do país anunciaram a morte de 21 rebeldes em combates com as forças oficias em Diyarbakir, a principal província do sudeste da Turquia e que tem maioria curda.

O PKK, considerado terrorista por vários países, iniciou uma luta armada em 1984. O conflito provocou 45.000 mortes desde então.

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