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Ataque em Nairóbi está prestes a acabar, diz Quênia

por AFP — publicado 23/09/2013 16h23
Governo diz ter controle de todos os andares do centro comercial, no qual terroristas mataram mais de 60 pessoas e mantêm reféns
James Quest / AFP
Quênia

Policial percorre ruas que cercam shopping no Quênia

Nairóbi (AFP) - As forças de segurança quenianas estariam prestes a acabar com a operação no shopping de Nairóbi, capital do Quênia, onde está entrincheirado desde sábado 21 um grupo islamita, integrado por pessoas de diferentes nacionalidades. A informação é do governo do país africano. "Acreditamos que a operação está prestes a acabar", disse o ministro do Interior, Joseph Ole Lenku.

"Temos o controle de todos os andares (do centro comercial), os terroristas estão fugindo e se escondendo, mas não têm escapatória", acrescentou.

Horas depois, o ministério do Interior informou em uma mensagem no Twitter que mais de 10 suspeitos foram detidos para interrogatório em conexão com a investigação sobre o ataque. "Detivemos mais de 10 suspeitos para interrogatório", afirmou o ministério, sem fornecer detalhes sobre os locais ou as circunstâncias destas detenções.

Em outra mensagem, o ministério do Interior informou que "três terroristas foram mortos" e outros foram feridos.

Fortes explosões e intensos tiroteios eram ouvidos no interior do shopping Westgate de Nairóbi. Uma grande coluna de fumaça preta saía do edifício, cercado por soldados e pelas forças de segurança quenianas. Várias ambulâncias se dirigiam ao centro comercial, segundo um jornalista da AFP.

Até o momento o balanço é de 62 mortos, segundo a Cruz Vermelha queniana, que revisou seus números, que durante a manhã registravam 69 mortes e 63 desaparecidos.

Por sua vez, o comandante do exercito do Quênia, Julius Karangi, afirmou que os membros do grupo que atacaram o centro comercial "vêm de diferentes países", falando, por isso, de "terrorismo mundial".

No entanto, um suposto comandante do grupo islamita somali Al-Shebab, vinculado à Al-Qaeda, negou nesta segunda-feira 23 à BBC que existam ocidentais ou mulheres entre os membros do comando.

Câmeras de vigilância gravaram o ataque

Segundo imagens captadas por câmeras de segurança, às quais o jornal queniano The Standard teve acesso, uma dúzia de criminosos invadiram o centro comercial Westgate no sábado. As imagens confirmam a versão das testemunhas de que um comando islamita, armado com granadas, rifles e pistolas, entrou no shopping por duas áreas distintas.

A maioria dos criminosos entrou pela porta principal, lançando granadas e atirando contra clientes de uma cafeteria. Outro grupo entrou na galeria comercial pelo estacionamento, disparando contra um guarda antes de se dirigir aos andares superiores, onde uma rádio local organizava uma festa. Logo depois de entrar, os islamitas lançaram duas granadas contra a multidão, mas apenas uma explodiu.

De acordo com testemunhas citadas pelo jornal, os islamitas forçaram quem estava no centro comercial a recitar ao menos o início da Shahada, uma fórmula pronunciada pelos fiéis muçulmanos. Os que eram incapazes de fazê-lo eram mortos a sangue frio.

Segundo o mesmo jornal, o grupo que invadiu o local pela entrada principal seguiu logo depois aos andares superiores do shopping.

As imagens das câmeras de vigilância também mostram os criminosos atirando contra as portas dos banheiros, depois de supostamente terem descoberto que muitas pessoas estavam refugiadas nos sanitários.

Depois, uma parte do grupo se dirigiu ao cinema do centro comercial, enquanto outra parte tomava o controle de um supermercado dentro do edifício.

Em uma declaração publicada na internet, o porta-voz dos shebab, Ali Mohamud Rage, ameaçou matar os reféns diante da pressão exercida contra eles por "Israel e outros governos cristãos". "Autorizamos os mujahedines do interior do edifício a realizar ações contra os prisioneiros", disse.

Forças especiais israelenses chegaram no domingo para apoiar as forças quenianas, indicou à AFP uma fonte que pediu o anonimato. Segundo um funcionário israelense, este seria, sobretudo, um apoio logístico, e não no combate.

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