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Internacional

Aniversário da morte de Bin Laden

Ataque dos talibãs deixa sete mortos em Cabul

por AFP — publicado 02/05/2012 10h57, última modificação 02/05/2012 11h12
Horas antes da ação dos aliados da Al-Qaeda, Obama havia prometido ‘um novo dia’ em visita ao país
talibas

Os talibãs foram expulsos do poder pelos Estados Unidos no fim de 2001 ©AFP / Shah Marai

CABUL (AFP) - Os talibãs atacaram nesta quarta-feira, dia em que a morte de Osama Bin Laden completa um ano, uma residência para estrangeiros em Cabul, e provocaram sete mortes, poucas horas depois da visita do presidente Barack Obama ao país com o objetivo de preparar o final da guerra.

Além disso, os rebeldes talibãs anunciaram o início de uma "ofensiva de primavera" no Afeganistão contra as forças da Otan e todos os aliados que sustentam o governo afegão.

A ação desta quarta-feira no subúrbio da capital afegã mostrou mais uma vez a capacidade dos talibãs, aliados da Al-Qaeda, de atacar até na cidade a princípio ultraprotegida, menos de dois anos antes da saída prevista das tropas de combate da Otan do país e da transferência de segurança às forças locais.

O ataque começou às 06h15 locais, quando rebeldes disfarçados com burqas detonaram um carro-bomba diante do "Green Village", um complexo muito protegido que abriga, entre outros, funcionário da ONU, da União Europeia e de ONGs, antes de atacar os guardas do local.

De acordo com o ministério afegão do Interior, sete pessoas morreram, incluindo um guarda. Pelo menos seis vítima são afegãs.

Dezoito pessoas ficaram feridas na ação, que terminou pouco depois das 10H00, quando a força da Otan no Afeganistão (Isaf) anunciou que matou todos os criminosos - três segundo o ministério do Interior.

Os talibãs reivindicaram o ataque, que segundo os insurgentes foi uma resposta à visita relâmpago de Barack Obama ao país.

Os rebeldes talibãs também anunciaram nesta quarta-feira uma "ofensiva de primavera", a operação "Al Faruq", terá como alvos os "invasores estrangeiros, seus conselheiros, seus terceirizados e todos aqueles que os ajudem militarmente e por meio de inteligência".

Durante as seis horas que permaneceu no país, exatamente um ano após a morte de Osama Bin Laden, Obama, que busca a reeleição, se apresentou aos compatriotas como um comandante-em-chefe capaz de acabar com o conflito, mas sem mencionar uma data.

Quase 11 anos depois da invasão dos Estados Unidos ao Afeganistão em resposta ao 11 de setembro, derrubando o regime talibã que abrigava a Al-Qaeda e seu líder, mais de 1.950 soldados americanos morreram no conflito, que irrita cada vez mais a opinião pública americana.

Em um discurso aos soldados americanos na base de Bagram, exibido ao vivo pelos canais de TV dos Estados Unidos, Obama prometeu "um novo dia" aos compatriotas e afirmou que vencer a Al-Qaeda estava ao alcance dos Estados Unidos.

Obama reconheceu que muitos americanos estão cansados da guerra e prometeu não colocar os compatriotas em risco, além de ter destacado a necessidade de acabar com a guerra de maneira responsável.

Durante a visita, o presidente americano assinou um acordo de cooperação estratégica com o colega afegão, Hamid Karzai, que estabelece as condições da presença de soldados americanos no país até 2024.

O acordo não contempla bases militares permanentes no Afeganistão, mas compromete este país a dar "acesso e permitir a atuação das forças americanas até 2014 e além". Obama também voltou a pedir aos talibãs que entreguem as armas e participem na reconciliação nacional.

A força da Otan, comandada por Washington, ainda tem 130 mil soldados, mais de dois terços deles americanos. Os países ocidentais programam a retirada de todas as tropas de combate do país até o fim de 2014, deixando o Afeganistão sob o risco de uma guerra civil.

 

 

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