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Assembleia da ONU condena repressão na Síria, que vive seu clímax

por AFP — publicado 17/02/2012 10h06, última modificação 17/02/2012 10h57
Brasil se posiciona a favor e Assembleia Geral da ONU aprova nesta quinta-feira 17, por ampla maioria, uma resolução que condena a repressão do regime do presidente sírio, Bashar al Assad, contra a população civil
Síria

Reprodução de imagem de vídeo mostra o cortejo fúnebre de um 'mártir', em Duma, perto de Damasco. Foto: ©AFP

NOVA YORK (AFP) - A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira 17, em Nova York, por ampla maioria, uma resolução que condena a repressão do regime do presidente sírio, Bashar al Assad, contra a população civil na Síria após um dia violento que deixou pelo menos 41 mortos no país árabe.

A resolução, apresentada na Assembleia Geral menos de duas semanas após o veto da Rússia e da China e de uma iniciativa similar no Conselho de Segurança, foi aprovada por 137 votos a favor, 12 contra e 17 abstenções.

Entre os que se opuseram à resolução estavam Rússia, China, Irã e os países latino-americanos da ALBA (Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América, integrada entre outros por Venezuela, Cuba, Bolívia e Nicarágua).

Mas, diferente do Conselho de Segurança, na Assembleia Geral das Nações Unidas não há direito a veto, embora ao mesmo tempo o texto aprovado não seja vinculante.

A proposta votada expressa a "grave preocupação" pela deterioração da situação na Síria e condena as "violações contínuas e sistemáticas dos direitos humanos e as liberdades fundamentais por parte das autoridades sírias".

Insiste, ainda, na necessidade de de aplicar o plano proposto pela Liga Árabe, que impulsiona uma transição para um sistema democrático e pluripartidário, embora não mencione expressamente que Assad ceda seu cargo.

Tal como ocorreu no Conselho de Segurança, a Rússia teria exigido previamente à sua votação várias emendas ao projeto, entre elas apagar a lista de abusos cometidos por Damasco contra civis e exigir "o fim dos ataques por parte de grupos armados" da oposição síria.

Uma primeira resolução denunciando a situação na Síria havia sido adotada pela Assembleia Geral da ONU em 19 de dezembro passado por 133 votos a favor, 11 votos contra e 53 abstenções (entre eles Rússia e China).

Bombardeios
Horas antes da votação em Nova York, as tropas de Assad bombardearam com artilharia pesada a cidade de Homs (centro), pelo décimo terceiro dia consecutivo, assim como Hama (centro), onde morreram 18 pessoas, muitas delas soldados desertores.

Ao mesmo tempo, dois massacres em províncias provocaram outras 23 vítimas fatais, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Esta organização denunciou que em um vale da província de Idleb (noroeste) as forças do regime sírio cometeram "uma matança" que custou a vida de 19 pessoas, 11 delas da mesma família.

A OSDH também informou que um civil e três soldados também morreram na província de Deraa (sul), onde se teme outro massacre após os ataques de quarta-feira na região, que deixaram dezenas de desaparecidos.

O ataque "é muito metódico", declarou Mohamed, morador de Deraa contatado por telefone de Beirute, afirmando que as forças do regime estão atacando a província "cidade a cidade".

"O Exército Sírio Livre (formado por desertores) está tentando contrabalançá-los, mas não estão equipados e são obrigados a se retirar. As tropas do regime estão se vingando nos moradores", explicou.

Paralelamente, pelo menos 14 opositores foram detidos em Damasco, entre eles a blogueira Razan Ghazawi, um dos símbolos da revolta popular contra o governo Assad, e o jornalista Mazen Darwich.

O advogado Anuar al Bunni explicou que os ativistas foram detidos "por volta das 14H00 locais" (10H00 de Brasília) por membros dos serviços de segurança "no Centro Sírio pelos Meios de Comunicação e a Liberdade de Expressão", fundado e dirigido por Darwich e situado no centro da capital.

Bunni, membro do Centro Sírio para Estudos Legais, condenou a ação e pediu a libertação dos detidos. A organização Repórteres sem Fronteira (RSF) também exigiu que os detidos sejam libertados.

Neste contexto, a oposição síria pediu nesta quinta-feira para boicotar o referendo sobre um projeto de Constituição elaborado pelo regime previsto para 26 de fevereiro, como mostra da falta de apoio popular para o "regime criminoso".

Washington qualificou o anúncio do referendo de "brincadeira" enquanto a Rússia, um dos principais fornecedores de armas de Damasco, disse que a iniciativa era "bem-vinda".

Os militantes pró-democráticos pediram nesta quinta-feira aos sírios que voltem a se manifestar maciçamente na sexta-feira e para "resistir" ao regime de Assad, falando do "início de uma nova etapa" frente à repressão da revolta.

Segundo organizações humanitárias, pelo menos 6.000 pessoas morreram na Síria desde o início da revolta, em meados de março passado.