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Síria

Assad diz que destruir arsenal químico levará um ano

por AFP — publicado 19/09/2013 16h26
Em entrevista à Fox News, líder do regime sírio afirma que 90% dos opositores são "terroristas"

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, prometeu destruir seu arsenal químico, mas destacou que a operação levará um ano e custará um bilhão de dólares, em entrevista a rede de televisão americana Fox.

No terreno, combatentes vinculados à Al-Qaeda consolidavam nesta quinta-feira seu controle sobre a cidade síria de Azaz, perto da fronteira com a Turquia, num momento em que o presidente sírio afirma que a rebelião é formada, em sua maioria, por terroristas.

Em uma entrevista à Fox News, Bashar al-Assad, declarou que a guerra em seu país não é uma guerra civil, mas um novo tipo de guerra, alegando que guerrilheiros islamitas de mais de 80 países se somaram à luta e que "entre 80% e 90% dos terroristas clandestinos são da Al-Qaeda".

Na entrevista, divulgada na noite de quarta-feira, Assad afirmou que desde março de 2011 dezenas de milhares de sírios e 15.000 soldados do regime morreram, a maioria em "ataques terroristas, assassinatos e atentados suicidas". O conflito na Síria começou em março de 2011 com um levante popular que foi progressivamente se militarizando diante da repressão do regime. Em dois anos e meio de conflito, mais de 110.000 perderam a vida, segundo o OSDH.

Nesta segunda entrevista concedida a um meio de comunicação americano neste mês, Assad reiterou que o ataque com gás sarin de 21 de agosto que deixou centenas de mortos perto de Damasco foi obra dos rebeldes.

Sua aliada Rússia mantém a mesma postura, enquanto os países ocidentais e vários países árabes acusam o regime sírio de ter realizado este massacre, o que fez com que há alguns dias Estados Unidos e França estivessem a ponto de atacar o país.

Mas os russos e os americanos alcançaram um acordo no dia 14 de setembro em Genebra para desmantelar o arsenal químico sírio, o mais importante da região.

"Acredito que é uma operação tecnicamente muito complicada. E requer muito dinheiro, cerca de um bilhão de dólares", disse Assad. Este desmantelamento será realizado segundo um "calendário certo" e para concluí-lo "será necessário um ano, talvez um pouco mais", acrescentou.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira que a atitude da Síria quanto ao compromisso de desmantelar seu arsenal químico inspira confiança. "Posso garantir 100% que seremos capazes de completar (o plano de desmantelamento das armas químicas sírias), mas tudo que temos visto nos últimos dias inspira confiança de que esse será o caso", declarou o presidente.

Putin destacou ainda que a Síria aceitou aderir à Organização para Proibição de Armas Químicas (OPAQ). Além disso, Putin chamou de "provocação inteligente" o ataque químico cometido perto de Damasco. "Temos todas as razões para acreditar que esta é uma provocação inteligente", declarou Putin. "Ao mesmo tempo, a técnica é primitiva: pegamos um velho morteiro de fabricação soviética, que não é usado há muito tempo pelo exército sírio -a principal coisa é que tenha escrito 'fabricado na URSS", a-acrescentou.

Ele se referia às inscrições em cirílico em fragmentos de morteiros, de acordo com fotografias apresentadas no relatório dos inspetores da ONU que investigaram o ataque.

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