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Às vésperas da eleição, Chávez chama opositores ao diálogo

por Redação Carta Capital — publicado 05/10/2012 08h59, última modificação 05/10/2012 11h33
Favorito, ele encerrou a campanha acompanhado de centenas de milhares de pessoas num mega-evento em Caracas

 

por Claudia Jardim, de Caracas

 

A três dias da eleição presidencial que definirá sua continuidade, ou não, no poder, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse estar disposto a estabelecer um diálogo “franco e sincero” com seus opositores e prometeu não “falhar” com os venezuelanos caso seja reeleito no domingo.

Há 14 anos no poder, Chávez disse, no entanto, que a “extrema direita” não dialoga e que interpreta as “pontes” de diálogo estendidas por ele como um sinal de debilidade.

“Estou disposto a fazê-lo (diálogar) e vínhamos avançando em um processo de reconciliação”, afirmou Chávez, durante entrevista no canal estatal, poucas horas depois de um apoteótico encerramento de campanha na capital Caracas. “Aqui, antes da revolução, o mediador era a Guarda Nacional, a polícia. Às vezes o Exército mediava os conflitos, não havia Estado”.

Favorito nas pesquisas de intenção de voto, Chávez encerrou sua campanha na quinta-feira 4 acompanhado de centenas de milhares de pessoas. A multidão lotou sete avenidas do centro de Caracas, em uma clara demonstração de força do chavismo às vésperas das eleições. A cidade colapsou. Centenas de ônibus que trouxeram os militantes de diferentes estados do país bloquearam o trânsito. O metrô foi insuficiente para transportar os moradores da cidade. Muitos voltaram para casa a pé. “Nunca vimos isso”, disse Chávez pouco depois.

 

No comício, sob uma chuva torrencial, Chávez pediu uma participação “contundente” de seus eleitores no domingo para que sua “vitória seja incontestável”.

"Chávez não falhará com vocês. Sem dúvida cometi erros, mas quem não comete erros? Por acaso Chávez se vendeu à burguesia, por acaso Chávez como presidente se deixou dobrar pelo imperialismo?", perguntou à multidão.

Com um evidente descontentamento de parte da base aliada e de um inevitável desgaste do governo, a eleição de domingo é vista como a mais acirrada e decisiva para o chavismo ao longo de 14 anos de poder. A crescente insegurança, inflação e ineficiência na gestão pública são apontados como as principais falhas que podem afetar o desempenho de Chávez nas urnas.

Ao evidenciar a preocupação do governo em relação às consequências do resultado das urnas, Chávez pediu que seus simpatizantes permaneçam nas ruas depois de votar para “defender o voto”.

O chavismo aposta em uma ampla vitória para afastar o fantasma de crise interna. Há informações de que a oposição estaria preparada para cantar fraude caso a contagem dos votos resulte apertada. “Se o candidato burguês ganha por um voto, ganharam e se eu ganho por um voto, não vão reconhecer, como assim” ?, disse Chávez.

Crítico do capitalismo, o líder venezuelano disse que um dos desafíos de seu governo é convencer a maioria de que o projeto socialista “pertence a todos”. “Por mais descontentes que estejam (…) não será a burguesia que virá solucionar os problemas”, afirmou.

Em outro extremo do país, no estado de Lara, Henrique Capriles encerrou sua campanha advertindo a Chávez que “seu ciclo terminou”. “O que o senhor fez bem, o povo agradece, mas nenhum governante é dono das conquistas dos venezuelanos”, disse.

Com o corpo apertado contra as grades que separavam a multidão do palco em que o presidente venezuelano discursava, Jenesis Salazar, de 20 anos, disse que sem Chávez, a população “perdería tudo”.

“Com ele (Chávez) temos saúde, educação, mas sobretudo, resgatamos nossa dignidade como povo. Com Capriles voltaríamos a ser invisíveis”, afirmou. Jenesis vive em um alojamento há 2 anos, destinado para atender os venezuelanos que perderam suas casas em consequência das fortes chuvas que assolaram o país. Apesar da demora em receber sua casa nova, prometida pelo governo, diz que continua apostando no chavismo. “Pode demorar, mas vai chegar, tenho fé”, afirmou. Será a primeira vez que Jenesis participará de uma eleição.

Se as pesquisas estiverem corretas e Chávez resultar eleito no domingo, o governante de 58 anos terá ganho o voto de uma nova geração de venezuelanos, jovens e novos eleitores que eram crianças ou não haviam nascido quando Chávez surgiu à cena política em 1992.