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Internacional

Papéis secretos

As primeiras informações do “cablegate”

por Bruno Huberman — publicado 29/11/2010 16h20, última modificação 06/06/2015 18h17
Documentos divulgados pela WikiLeaks mostram que EUA investigam ONU e diplomatas atuam como espiões. Autoridades americanas condenaram o vazamento

Documentos divulgados pela WikiLeaks mostram que EUA investigam ONU e diplomatas atuam como espiões. Autoridades americanas condenaram o vazamento

A organização WikiLeaks iniciou no domingo 28 o vazamento do que afirma ser “o maior conjunto de documentos confidenciais a ser levado a público na história”. São expostos 251.287 comunicados produzidos pela diplomacia dos EUA em vários países de 28 de dezembro de 1966 até 28 de fevereiro de 2010. Os jornais Guardian, New York Times, Der Spiegel, Lê Monde e El País foram os primeiros a terem acesso às informações. O caso recebeu a alcunha de “cablegate”.

O conteúdo dessas correspondências leva a crer que os diplomatas americanos atuavam como espiões em diversos países, mesmo naqueles considerados “neutros”, como Suécia e Suíça. As embaixadas faziam relatórios sobre a mídia local e o serviço de inteligência, além de lobby para empresas americanas. Os documentos também mostram que os americanos mandaram investigar diversos líderes, como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o que vai contra as normas da Organização.

Algumas informações chegam a ser cômicas. Entre elas a solicitação de uma análise sobre o estado mental da presidente argentina Cristina Kirchner e a descrição das “festas selvagens” do premiê italiano Silvio Berlusconi. Já o líder líbio, Muammar al-Gadafi, usaria botox, seria hipocondríaco e sua enfermeira seria uma “voluptuosa” loira ucraniana. O primeiro-ministro russo Vladimir Putin, apontado como “machista e autoritário”, na relação com o presidente Dmitri Medvedev, seria o “Batman”, enquanto Medvedev o “Robin”.

A secretaria de Estado americana, Hillary Clinton, que segundo os documentos divulgados teve suas atividades monitoradas desde que entrou para o governo, condenou o vazamento. “Não é apenas um atentado contra a política de interesses estrangeiros dos EUA, mas também um ataque à comunidade internacional”, disse à rede de televisão CNN.

Um lote de 1.974 de comunicados produzidos pela diplomacia americana no Brasil faz parte do pacote. Até agora já foram divulgados seis deles. Chama atenção um relato sobre o almoço entre o embaixador John Danilovich e o general Jorge Armando Félix. Para saber mais, .

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