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Diplomacia

As calças no varal

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 30/11/2010 01h43, última modificação 03/12/2010 16h46
O vazamento do WikiLeaks não revela grandes segredos: apenas a fragilidade da inteligência dos EUA

O vazamento do WikiLeaks não revela grandes segredos: apenas a fragilidade da inteligência dos EUA

O que fazer de 251.287 memorandos diplomáticos? Uma leitura, análise e interpretação razoavelmente aprofundadas seriam um trabalho de anos, capaz de gerar milhares de artigos e teses acadêmicas em história, relações internacionais e ciências políticas.

Em vez de discutir as minúcias das árvores para as quais querem que prestemos atenção, busquemos uma visão geral da floresta. Uma conclusão inevitável é que o Departamento de Estado de fato põe diplomatas a serviço da espionagem, inclusive de seus aliados – e pode ter perdido parte da confiança destes, vista a facilidadecom que seus segredos são vazados. Outra é que os EUA têm pouca capacidade de interpretação das informações que reúne. As opiniões desabridas de diplomatas de Washington e de seus amigos e informantes sobre líderes mundiais são por vezes divertidas, mas raramente acrescentam algonovo. Suas análises e especulações revelam poucos segredos e também pouca capacidade de ir além do senso comum.

Simon Jenkins, do Guardian, comenta “A impressão é da superpotência mundial vagando impotente num mundo onde ninguém se porta como ela pede. Irã, Rússia, Paquistão, Afeganistão, Iêmen, a ONU, todos vivem saindo do roteiro. Washington reage como um urso ferido, com instintos imperiais, mas uma projeção de poder improdutiva. Sua diplomacia mostra-se escrava do deslocamento da política à direita e se apavora com uma bomba que explode no exterior ou com um congressista pró-Israel”.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 625, já nas bancas.

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