Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Armamento de rebeldes pela França expõe fissuras no comando da Otan

Internacional

Guerra civil

Armamento de rebeldes pela França expõe fissuras no comando da Otan

por Redação Carta Capital — publicado 29/06/2011 18h29, última modificação 29/06/2011 18h52
Jornal francês revela que país entregou armamentos a rebeldes sem consultar as outras nações que compõem a aliança militar

O jornal Le Figaro publicou, nesta quarta-feira, que a França entregou armas aos rebeldes líbios que lutam contra o regime de Muammar Kadafi. De acordo com o jornal, que citou fontes anônimas ligadas às forças militares do país, aviões franceses lançaram por paraquedas metralhadoras, lançadores de granadas e mísseis antitanque nas montanhas de Nafusa, a oeste da Líbia.

A ação da Otan começou há três meses e a situação permanece indefinida. Muammar Kadafi conseguiu, até o momento, bloquear seus opositores na cidade de Zlitan, impedindo avanços em direção a Trípoli.

Ainda de acordo com o Le Figaro, a decisão de enviar armas a uma das partes que se enfrentam na guerra civil foi tomada sem a consulta aos outros países que compõem a aliança militar.      

A notícia trouxe a público as fissuras existentes entre os comandos militares das nações que compõem a coalizão da Otan. Apesar de a resolução 1973 das Nações Unidas não ser específica sobre o armamento de uma das partes em conflito, desde o início da ação a Otan afirmou que não enviaria armamentos às forças que tentam depor o ditador.

“É uma questão que diz respeito à França. Não tenho a intenção de criticar a França, mas certamente é algo que não deveríamos fazer”, disse o ministro britânico de Segurança Internacional Gerald Howarth, segundo a agência Reuters. Ele também admitiu que o texto da resolução da ONU, quando se refere a “proteger civis”, pode ser interpretado de diferentes maneiras por diferentes países. A Grã Bretanha, junto a França, concentra os esforços militares europeus na operação militar.

As críticas mais contundentes vieram do ministro da defesa da Holanda, Hans Hillen. “A Líbia é um país muito grande. As pessoas que pensaram que jogar algumas bombas não só ajudaria a população, como convenceria Kadafi a deixar o poder e alterar suas políticas, foram um tanto ingênuas”. Ele insistiu que a missão da aliança deveria conter-se ao mandato das Nações Unidas de proteger os civis.

Por outro lado, o ministro do exterior da Itália, Franco Frattini, fez declarações anteriores defendendo que o armamento dos rebeldes é “moralmente justificável”.

“Ajuda humanitária”

A notícia divulgada pelo Le Figaro foi confirmada em parte pelo porta-voz das forças armadas francesas Thierry Burkhard. À agência Reuters, ele comentou primeiramente foram lançados produtos de ajuda humanitária como água, alimentos e medicamentos.

“Houve lançamentos humanitários porque a situação humanitária estava piorando e em um momento nos pareceu que a situação de segurança ameaçava civis que não tinham como se defender”. Em seguida, ele alegou que foram despejadas armas leves e munição para “autodefesa”.

registrado em: