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Argélia prossegue operação contra islamitas

por AFP — publicado 18/01/2013 11h23, última modificação 18/01/2013 11h23
Muitos reféns estrangeiros e argelinos ainda estão sob controle dos sequestradores

O ataque do exército argelino para tentar resgatar dezenas de reféns, sequestrados por islamitas em um campo de exploração de gás do leste do país, prosseguia nesta sexta-feira sob as críticas dos países ocidentais, que não foram advertidos de uma operação que deixou um número indeterminado de mortos.

"Ainda há um grupo entrincheirado" no complexo de In Amenas, 1300 km a sudeste de Argel, perto da fronteira com a Líbia, disse à AFP uma fonte dos serviços de segurança da Argélia, que se negou a fornecer outros detalhes: "É difícil falar de uma operação que segue em curso", alegou. "Parece que ainda há reféns detidos e pode ser que alguns deles sejam britânicos. A situação está mudando rapidamente e é muito difícil saber o que está acontecendo", disse uma porta-voz do Foreign Office.

A falta de informações precisas sobre os acontecimentos aumentava o temor pela vida dos reféns.

As autoridades argelinas afirmaram que o ataque deixou mortos, sem especificar o número. Uma fonte de segurança apontou que 18 islamitas morreram na ação. O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, indicou, por sua vez, que vários reféns morreram, sem poder informar um número aproximado ou sua nacionalidade.

Um porta-voz dos islamitas, citado pela agência de notícias da Mauritânia ANI, havia afirmado na quinta-feira que a operação provocou a morte de 49 pessoas, entre elas 34 reféns e 15 sequestradores. Mas a fonte dos serviços de segurança da Argélia julgou este balanço fantasioso.

O ministro irlandês das Relações Exteriores, Eamon Gilmore, indicou, citando um dos reféns que conseguiu fugir, que eles colocaram cinturões de explosivos quando o exército argelino lançou, na quinta-feira, a operação.

O comando se apoderou do campo de exploração na quarta-feira, alegando uma ação de represália pela decisão argelina de deixar que os aviões franceses sobrevoassem seu espaço aéreo para lançar uma operação contra os islamitas no vizinho Mali.

A operação de resgate foi criticada pelos países ocidentais por não terem sido alertados. O ministro das Comunicações argelino, Mohamed Said, disse na quinta-feira que as forças aéreas e terrestres libertaram "um grande número" de reféns.

No entanto, as informações dos meios de comunicação argelinos afirmaram que quase 600 dos resgatados eram funcionários argelinos e que apenas alguns deles pertenciam ao grupo de 41 estrangeiros capturados.

Um funcionário americano de alto escalão sustentou que Washington apelou de forma enérgica para as autoridades argelinas considerarem a segurança dos reféns como sua maior prioridade.

O ministro das Relações Exteriores japonês convocou o embaixador argelino para pedir a ele uma explicação sobre os incidentes. O governo japonês havia afirmado anteriormente que o ataque do exército era lamentável e que não estava recebendo nenhuma informação clara a respeito. Por sua vez, o primeiro-ministro, Shinzo Abe, encurtou uma visita à Indonésia para enfrentar a crise.

A situação na Argélia também obrigou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a cancelar um importante discurso sobre a Europa. Entre os reféns estariam cerca de 20 cidadãos britânicos.

A empresa norueguesa Statoil, que administra este campo junto ao gigante petroleiro britânico British Petroleum e à empresa argelina Sonatrach, disse que oito funcionários noruegueses estavam na lista de desaparecidos, enquanto um nono estava a salvo, embora ferido.

A França indicou que dois de seus cidadãos voltaram sãos e salvos, mas que não tinha notícias de outros dois que se encontravam entre os reféns. O chefe do grupo que capturou os reféns, Abu al-Baraa, exigiu que "o exército argelino se retire da área para permitir negociações", em declarações ao canal de televisão Al-Jazeera. No entanto, a Argélia insistiu que não negociará com terroristas.

Os preços do petróleo subiram no mercado asiático devido à violência neste país produtor do norte da África.

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