Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Apreciação econômica e política do mundo atual

Internacional

Análise / Paulo Yokota

Apreciação econômica e política do mundo atual

por Paulo Yokota — publicado 03/11/2014 10h56
Os meios de comunicação social importantes no mundo refletem que parece haver dificuldades de toda a sorte no atual mundo globalizado
Flickr / Joi Ito
Tóquio

Tóquio. O mundo globalizado está tendo dificuldades de toda a sorte

Ainda que se procure manter o otimismo que parece mais construtivo, há que se admitir, depois de uma longa viagem de São Paulo, passando por Cingapura e chegando a Tóquio, voltando com uma parada em Barcelona, que parece haver dificuldades de toda a sorte no atual mundo globalizado, mais que no passado recente. Os meios de comunicação social importantes no mundo refletem nas suas notícias parte deste clima que pode ser também constatado nestes pontos de observações que parecem estratégicos.

Evidentemente, existem sempre fatores que podem ajudar a superar estas dificuldades, como a atual queda dos preços do petróleo, dos minérios e das commodities agrícolas, ainda que tudo isto pouco ajude o Brasil e dificulte alguns países. O ajustamento a esta nova situação vai ser difícil para muitos países, o que também não contribui para uma situação mais tranquila no mundo, notadamente dos que viviam de suas elevadas receitas decorrentes das exportações de petróleo.

O fato concreto é que parece que os Estados Unidos, que tinham um papel importante no mundo, vêm reduzindo a sua influência e algumas medidas que estão sendo tomadas pelas suas autoridades em nada contribuem para um crescimento econômico e estabilidade política que são almejados por todos, ainda que suavizem seus próprios problemas. Existem discussões sobre as eficácias das medidas tomadas contra o Estado Islâmico, que deixou de ser uma guerra convencional para aparentar mais uma guerrilha desorganizada. A pressão contra a Rússia diante de suas pretensões com alguns dos seus vizinhos, antigos componentes da URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas como a Ucrânia, bem como contra as expansões que a China vem tentando, notadamente junto às fontes fornecedoras de muitas das matérias-primas de que necessita, geram tensões adicionais.

Já não existe uma clara adesão aos norte-americanos de seus aliados para suas iniciativas como em países europeus, que também tendem a reduzir suas populações, e alguns asiáticos, que passam também por suas dificuldades econômicas e políticas, não podendo se comprometer com ajudas substanciais, notadamente no setor da defesa coletiva. Principalmente porque Barack Obama não parece contar com um forte suporte interno para suas políticas, aparentando ser já um “lame duck”. Problemas como a ocorrência e a ampliação dos contágios de doenças como a ebola exigem substanciais esforços emergenciais para que não se torne uma grande calamidade mundial, e, apesar de muitas tentativas experimentais, não se conta ainda com um meio eficaz do seu controle. Como exemplo, a contribuição da Espanha neste item é inferior ao da Bolívia.

A insegurança que estes e outros fatores econômicos e políticos geram no mundo parece não ajudar a sua recuperação que já aparentava difícil. As informações são de agravamento na distribuição de renda, com uns poucos privilegiados se beneficiando de parcelas crescentes de renda, enquanto multidões de pobres encontram maiores dificuldades.

Fica-se também com a impressão do aumento das irregularidades climáticas em muitas partes do mundo, podendo ser consequência das agressões à natureza, e as medidas para a sua redução não conseguem um consenso. Ainda que estes fenômenos climáticos ocorram tanto no mundo desenvolvido como nos emergentes e mais pobres, as suas vítimas contam com limitações maiores entre os menos favorecidos.

Mas, a longo prazo, as condições econômicas melhoraram em todo mundo nas últimas décadas, e, como consequência natural e desejável, as aspirações por maior liberdade política ocorrem em muitos países. As resistências aos aperfeiçoamentos sofrem restrições variadas, como se fossem determinadas pelas diferenças das posições ideológicas, indicando as dificuldades do aprendizado democrático.

Não parece que a imprensa internacional venha melhorando no entendimento de problemas políticos que ocorrem em diversos países, que são generalizados como somente decorrentes de aspectos de política econômica. A redução das tiragens de muitos jornais e revistas, além das diminuições das publicidades, parece afetar as qualidades das análises, que tendem a abusar de informações superficiais disseminadas com a ajuda da internet. Ainda que ela seja um instrumento indispensável, parece que os educadores terão que insistir no aperfeiçoamento das análises mais profundas.

Parece que são desafios que podem provocar algumas mudanças que poderão ocorrer no sentido positivo ao longo do tempo, pois a humanidade sempre foi capaz de maior criatividade quando os tempos são mais difíceis.