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Anistia denuncia abusos de rebeldes

por Redação Carta Capital — publicado 13/09/2011 12h56, última modificação 13/09/2011 13h23
O relatório denuncia o linchamento de africanos negros suspeitos de serem mercenários a favor de Kaddafi, assassinatos por vingança e tortura de soldados inimigos capturados

Relatório divulgado pela Anistia Internacional informou que as forças anti-Kaddafi, que hoje controlam as cidades-chave da Líbia, cometeram assassinatos e torturas durante a rebelião. O documento equipara supostos abusos entre os grupos leais ao ditador e os rebeldes, com “abusos de direitos humanos e alguns casos de crimes de guerra”.

O relatório denuncia o linchamento de africanos negros suspeitos de serem mercenários a favor de Kaddafi, assassinatos por vingança e tortura de soldados inimigos capturados.

O Conselho Nacional de Transição (CNT) divulgou um comunicado reconhecendo apenas que "um pequeno número de incidentes" foi promovido pelos rebeldes. O Conselho condenou "quaisquer abusos perpetrados por um ou outro lado" e disse que está "firmemente empenhado na defesa dos direitos humanos e o Estado de direito, internacional e local. A violação dos direitos já não tem um lugar na Líbia".

"O CNT está enfrentando a difícil tarefa de controlar combatentes da oposição e milícias responsáveis por graves abusos de direitos humanos, incluindo possíveis crimes de guerra, mas demonstrou relutância em fazer com que eles assumam a responsabilidade por seus atos", diz o relatório.

O relatório tem potencial para elevar a desconfiança sobre um futuro novo governo. Parte dessa tensão é explicada por episódios de disputas de poder entre os próprios rebeldes. Um dos casos mais emblemáticos é o de Abdel Fatah Yunes, morto em julho. Antes de se aliar aos insurgentes em fevereiro, ele era considerado o número dois do regime do coronel Kaddafi, e desempenhava as funções de ministro do Interior. As circunstâncias sobre seu assassinato são até agora misteriosas.

Fato é que a criação de um governo pós-Kaddafi vive agora uma tensão que se torna cada vez mais latente entre conservadores islâmicos, que inclui a Irmandade Muçulmana, e tecnocratas seculares que competem pelo poder. Um acusa o outro de monopolizar o novo governo. Há também indícios de que , como afirmou em entrevista à CartaCapital o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira. Denúncia, aliás, feita pelo próprio Kaddafi, mas sobre as quais poucos tomaram medidas.

Na tentativa de diminuir os conflitos, o líder do CNT, Mustafa Abdel Jalil, fez um apelo à unidade e moderação e também pediu que os líbios apoiem um sistema democrático que "honra e respeita" o Estado de Direito do Islã.

Para o líder do CNT, que foi ministro da Justiça de Kaddafi a partir de 2007, o momento agora é tentar reunir apoio das diferentes correntes de um futuro governo. Em seu primeiro discurso aos líbios desde a tomada do controle em Trípoli, no fim do mês passado, Jalil lançou um apelo sobre a reconciliação nacional na segunda-feira 12, na capital do país. O pronunciamento aconteceu na Praça dos Mártires, local onde o ditador Muamar Kaddafi realizava seus discursos.

"Somos muçulmanos, as pessoas do perdão", disse ele, incitando os líbios que foram prejudicados pelo regime do coronel Kaddafi a não buscar vingança.

"Nós não vamos aceitar qualquer ideologia extremista, à direita ou à esquerda. Somos um povo muçulmano, por um Islã moderado, e vai ficar por esta estrada."

Em seu discurso, Jalil falou dos esforços de todos que ajudaram na revolução. E afirmou que as mulheres irão desempenhar um papel ativo no novo governo.

Ao falar de duas principais queixas sobre Kaddafi, Jalil garantiu à multidão que os subsídios de desemprego serão pagos de forma confiável – numa tentativa de mostrar à população que benefícios sociais dos tempos do ditador devem ser preservados – e que a riqueza do país está protegida contra a corrupção.

Até agora, 34 países, além da população local, já reconhecem o CNT como governo na Líbia.

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